As mulheres já foram as "rainhas do lar". Já queimaram sutiãs em praça pública reivindicando seus direitos. Chegaram ao topo das maiores empresas. Conquistaram a Presidência da República. Há aquelas que ainda sonham com um marido e filhos. Outras só com o marido. E há quem deseje apenas uma carreira bem-sucedida. Há também quem queira tudo isso e mais um pouco. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a FOLHA conta a história de três mulheres que se realizaram em atividades diversas.

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| Foto: Gustavo Carneiro
Luciana Luppi - Bailarina - Casada, mãe de Ana Carolina, de 9 anos, e José Felipe, de 5
Bailarina desde os 5 anos de idade, Luciana Luppi fez da dança grande parte de sua vida. Hoje, divide o tempo entre os filhos, os ensaios com o Balé de Londrina e as aulas de balé na Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), onde atua como professora. "A rotina de uma bailarina é puxada. Além dos ensaios, é preciso toda uma preparação. Eu sempre procurei chegar antes, me alongar, fazer exercícios de fortalecimento. Comecei profissionalmente em 1993, quando entrei para o Balé de Londrina, integrando sua primeira formação", conta. Antes, Luciana só parou de dançar durante dois anos enquanto cursava fisioterapia na Universidade Estadual de Londrina (UEL). "O curso era integral, eu perdia muitas aulas por conta das viagens. Mas mesmo não estando na companhia (de dança) nunca deixei de estudar. Quando tinha alguma aula vaga na UEL, corria para o balé", diz. Na gravidez da filha, ela conta que dançou até quase o nono mês. "Fizeram uma coreografia especial para mim, sem salto, então pude ir até quase o final. Quando meu filho nasceu optei por parar de dançar e só dar aulas", afirma. No ano passado, um convite a fez voltar aos palcos, para participar do espetáculo "...à Cidade". Atualmente ela participa dos ensaios três manhãs por semana e dá aulas todas as tardes. AS outras duas manhãs são dedicadas aos filhos. A oportunidade de voltar à companhia a fez repensar sua carreira e ver que tomou a decisão certa. "Quando o José nasceu fiquei balançada e com o espetáculo vi que essa fase já passou. Fiz o que queria fazer profissionalmente, agora quero continuar estudando. Tem que ter um preparo físico imenso para dançar profissionalmente, teria que abandonar um pouco a minha família. Tem gente que consegue fazer isso, mas não é minha opção", afirma. Na avaliação de Luciana, ser uma mulher de sucesso é fazer o que gosta e sobreviver daquilo. "Fiz o máximo que podia fazer e tive reconhecimento, como bailarina e como professora." (E.G)
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| Foto: Saulo Ohara
Lucimara Bertoli - Farmacêutica e empresária - Casada, mãe de Laura, de 8 anos, e Marcela, de 7
Quem observa a rede de farmácias de manipulação Phloraceae, não imagina que tudo começou com um sonho de adolescente. Hoje são quatro lojas, além de um quiosque da linha Sezz Cosmetique em um shopping de Londrina, com previsão de inaugurar mais um até abril. Lucimara saiu aos 17 anos de Guarantã (SP) para cursar Farmácia na Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Sempre tive muito foco, muito objetivo de fazer a diferença. Eu gostava de química, pensava na indústria e não em me tornar responsável por uma farmácia", diz ela, que fez cursos de farmácia de manipulação e estágios na área. Em 1997 abriu a primeira unidade da Phloraceae, em sociedade com o marido. O sonho da indústria – a PHL - se realizou mais tarde, em 2011, com a criação da linha Sezz Cosmetique, com cerca de 50 itens, desde produtos para banho, hidratantes e aromatizadores de ambiente. O próximo sonho é a criação de uma linha de maquiagem. Hoje as farmácias e a indústria empregam cerca de 80 funcionários. "É difícil distribuir o tempo, a família é muito importante. As meninas ficaram no berçário desde os sete meses, mas sempre vi minha mãe trabalhando fora de casa e foi meu exemplo. Senti um pouco de culpa, não por estar trabalhando, mas por não estar presente. Por isso, busco qualidade no tempo que fico com as meninas. Quero ser um exemplo para elas também. No sentido pessoal e profissional, posso dizer que sou uma pessoa realizada", afirma. (E.G)
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| Foto: Gustavo Carneiro
Lydia Maria Fuganti Fedrigo - Empreendedora social - Casada, mãe de Luiz, de 23 anos, e Maria Eliza, de 21
O que começou como uma iniciativa para ensinar mulheres carentes a ter renda extra, 15 anos depois se transformou em um projeto que atende mais de 40 mulheres e 110 crianças e adolescentes, com a proposta de levar dignidade a todos. O Instituto Eurobase é a realização de Lydia Maria Fuganti Fedrigo, técnica em segurança do trabalho e empreendedora. "Em 2000 eu trabalhava na prefeitura em um projeto de horta comunitária, com mães de crianças com baixo peso. Começamos a ensinar crochê, tricô, para elas terem uma renda extra. Quando sai da prefeitura, continuamos o trabalho na casa de uma das mulheres. Elas começaram a fazer peças e vender. Com o tempo, compramos uma casa no bairro com a ajuda da empresa Eurobase Engenharia e Construção, que até hoje nos ajuda. Nessa época, o grupo já tinha umas 30 mulheres e, além dos cursos, fazíamos palestras para ensiná-las a se cuidar, para levantar a autoestima", conta. Com o tempo, as crianças do bairro começaram a querer participar das aulas e Lydia percebeu que precisaria fazer algo para atendê-las também. Então foi criado o Instituto Eurobase, que passou a funcionar em um barracão. Hoje o grupo de mulheres já ficou independente, elas viraram microempresárias e se sustentam. Tanta dedicação rendeu a Lydia o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria Negócios Coletivos, em 2011. "Vejo que meu sonho está se realizando, embora o sonho sempre aumenta. Mudou a história dessas mulheres. Elas sabem o que querem, algumas estão fazendo faculdade. Frente a tudo isso fico muito feliz por ter feito o que já fiz, mas tem muito para ser feito. Sou uma pessoa muito otimista, vejo o lado bom da vida. Não vejo o sucesso como o reconhecimento de fora, mas consigo fazer a diferença para outras pessoas. Gostaria que minhas crianças se formassem, tivessem sonhos de conquistar outras coisas que não um celular, um tênis. Quero um país bom para todo mundo, não só para os meus filhos. As mulheres têm que lutar pelos sonhos delas, não desistirem", recomenda. (E.G)
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