Não é só uma pele bonita e um corpo esbelto que fazem a jovialidade da mulher que entra nos 40. A postura é bem diferente da que era adotada pelas matriarcas ''amargas'' de gerações anteriores, cujas vidas resumiam-se a casar-se, ter filhos, netos, cuidar da casa e suspirar. Hoje, esse tipo de resignação é página virada.
Que o digam os cineastas Pedro Almodóvar e Ventura Pons, que retratam a mulher madura como uma mulher forte, desejável e sedutora, capaz de suscitar grandes paixões. Fatores como inserção no mercado de trabalho, independência financeira, os recursos nas áreas da saúde e da estética e, sobretudo, o desejo de viver bem e intensamente ajudaram a redefinir o perfil dessas mulheres, que não se encaixam mais no rótulo e estereótipos da terceira idade.
A socióloga Cristina Costa, autora do livro ''A Imagem da Mulher'' (Editora Senac), lembra que, antes, as etapas se sucediam de forma linear. ''Hoje, temos ciclos que não obedecem a uma ordem'', destaca. ''Mulheres de 40, 50 ou mais retomam os sonhos adormecidos, e as famílias se adequam, de forma que as pessoas se realizem.'' Para a historiadora Maria Angélica Soler, do Núcleo de Estudos da Mulher da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o acesso às informações, o desejo de se atualizar e o convívio com gerações mais jovens revigoram as mulheres maduras.
Uma adolescenteA qualidade de vida também conta. ''A imagem da tia velha deprimida, se abanando com um leque, é coisa de um passado remoto, quando a mulher não tinha a assistência de especialistas'', fala o médico João Toniolo Neto, chefe da disciplina de geriatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, há 20 anos, as pessoas estavam preocupadas em tratar doenças. Atualmente, tratam a saúde, alimentando-se corretamente e fazendo exercícios, de forma preventiva. Com isso, a expectativa de vida sofreu um considerável upgrade. Se não tiver problemas com álcool, cigarros, drogas, estresse e outros acidentes de percurso, a mulher de 40, hoje, pode ser considerada uma adolescente.
No campo da dermatologia, mais avanços. Se a mulher de 40 aparenta ter dez anos a menos, é porque dispõe de cosméticos e tratamentos estéticos que prolongam a juventude. Segundo a dermatologista Lígia Kogos, o grande divisor de águas nessa área foi o ácido retinóico, na década de 1980. ''Criado para cuidar de casos de acne, ele propicia o alargamento da derme, estimulando a produção de colágeno.''
Outro grande avanço foi o uso de hormônios femininos nos cosméticos. E se a mulher conta hoje com tantos tratamentos e novidades, segundo a médica, isso deve-se à aproximação entre dermatologistas, bioquímicos e farmacêuticos, que uniram seus conhecimentos, disponibilizando fórmulas eficazes para o combate ao envelhecimento.
Filtro solarEla é linda, bem-casada, profissional dinâmica e mãezona de Yasmin, de 15 anos, e Antônio, de 4. Aos 41 anos, a modelo Luiza Brunet tem um site pessoal, o Feminissima; mantém uma parceria com a Avon em cosméticos que leva seu nome e, ultimamente, vem assessorando a filha na carreira de modelo.
Mas nem tudo foi um conto de fadas na vida da famosa modelo. De origem humilde, Luiza nasceu numa casa de palafita no Pantanal, filha de um lavrador cearense e de uma dona de casa carioca. Quando tinha 8 anos, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. ''Aos 12 anos, tive que largar os estudos e trabalhar como doméstica.'' Casou-se aos 16, quando iniciou a carreira de modelo. Separou-se, conheceu seu atual marido, o antiquário argentino Armando Fernandez, e decolou na carreira de top model.
Em vez de chorar as mágoas, Luiza extraiu das experiências difíceis do começo de vida no Rio as lições e valores que agora repassa para a filha. Diz que uma das melhores coisas foi ter sido mãe tardia. ''A gente está numa fase mais tranquila, com a cabeça ótima.''
Com um padrão de beleza ''made in Brazil'', que encantou Guy Laroche, Luiza é neta de índios, tem 1,76 metro de altura e 65 quilos. Acorda por volta das 6 horas, toma o café da manhã com os meninos e, depois, costuma fazer caminhadas, alternando-as com corridas e um pouco de musculação.
Dorme 8 horas, se alimenta em casa gosta de ir, ela própria, à feira e ao supermercado para escolher os alimentos almoça e janta com os filhos. Vaidosa, mas sem radicalismos, usa pouca maquiagem e, no máximo, passa um hidratante e filtro solar no colo e no rosto. Seu segredo? ''A maternidade rejuvenesce a mulher.''
Peripécias sexuais''Na minha idade, minha mãe cuidava de três filhos e do marido bêbado.'' A frase de Samantha (Kim Cattrall), a quarentona assanhada do seriado ''Sex And The City'', cai como uma luva para se referir às mudanças ocorridas com as mulheres do pós-feminismo. Solteira, financeiramente independente, enxutíssima, a personagem faria corar as quarentonas puritanas de outras gerações com suas peripécias sexuais. Samantha é a mais velha da turma de amigas do seriado, e o que torna sua personagem especial é o exemplo de ''inclusão''. Apesar das diferenças de idade, juntas, elas formam uma química perfeita, algo impensável em tempos passados, quando cada geração ficava na sua praia.
Quem tem uma cabeça boa, com certeza, despista a idade biológica. É o que lembra a atriz, roteirista e escritora Patrycia Travassos, apresentadora do programa ''Alternativa Saúde'', no canal GNT. A atriz não acredita em receitas para viver cada idade. ''Radicalismo, seja na alimentação ou nos exercícios, leva a uma ditatura.'' Bonitona e adepta das terapias alternativas, em seu programa, ela aborda o que todos buscam: melhor qualidade de vida, inclusive, nos relacionamentos afetivos. ''A mulher madura é mais tranquila, segura e mais exigente. Ela não tem mais aquela ansiedade dos 20 anos. Aos 40, queremos uma pessoa e não um corpo. O sexo vem junto com as afinidades que você tem com o outro. Quando você se gosta, não faz sexo por fazer.''
Felicidade pessoalSe, em 1961, a mulher respondia por 18% da força de trabalho do País, em 2000, esse índice saltou para 51%. Mas chegar ao topo sem abdicar da felicidade pessoal ainda é para poucas. Eneida Bini, de 41 anos, casada e com um filho, é presidente da Avon brasileira. A unidade tem 800 mil revendedoras e é a segunda da corporação em volume de vendas, com um faturamento de 2,3 bilhões de reais em 2001. Aos 40 anos, diz ela, não há motivos para crises, mas para celebrações. ''Temos autonomia, liberdade e maturidade para escolher o que é melhor para nós mesmas. Somos mais preparadas para enfrentar as diversas situações da vida e tomar as decisões adequadas, graças à experiência já adquirida.''
Porta-voz de uma geração de mulheres bem-sucedidas profissionalmente, Eneida não descuida da felicidade interior, detalhe que faz diferença entre as workaholics estressadas e as workaholics light. ''Na busca do equilíbrio entre corpo e mente, a mulher de 40, hoje, investe mais na sua educação, no seu desenvolvimento pessoal e no bem-estar. Na medida em que cuida mais de si, torna-se mais feliz e dissemina a harmonia no seu âmbito familiar.'' Ela dá o exemplo: dorme, no mínimo, 6 horas por dia, tem uma alimentação saudável, bebe muita água, caminha, faz natação e conversa com Deus diariamente.

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