Mulheres à beira de um ataque
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quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Você é daquelas que acreditam que doenças do coração são um problema só dos homens? Que procurar um cardiologista regularmente e fazer exames de colesterol e pressão é uma preocupação restrita ao universo masculino? Se você é mulher e tem mais de 40 anos de idade comece a mudar seus conceitos.
Diferente do que acontecia no passado, as doenças do coração estão matando cada vez mais mulheres. Atualmente, esses males são a segunda causa de morte entre as mulheres, ficando atrás apenas dos cânceres de mama e útero. Segundo o cardiologista Antônio Fernando Sant'Anna, isso se deve à mudança de hábitos da mulher moderna. Ele afirma que, no passado, quem tinha a preocupação de trabalhar e manter a família era o homem, enquanto a mulher ficava em casa e cuidava dos filhos. Hoje, a mulher cuida dos filhos e da casa e também tem a responsabilidade de trabalhar e crescer no emprego. ''Na verdade, a mulher arrumou um outro emprego. Isso causa mais estresse e aumenta a ansiedade, que são inimigos do coração'', comenta.
Cigarro De acordo com a Federação Mundial de Cardiologia, sediada em Genebra, na Suíça, atualmente as doenças cardiovasculares são responsáveis pela morte de 8,6 milhões de mulheres por ano no mundo, o que representa 52% dos casos fatais da doença. Aliado à nova rotina diária da mulher está o péssimo hábito de fumar, que era basicamente masculino e agora está disseminado entre as mulheres. Em 1970, a população feminina fumante não passava de 10%, enquanto que no ano de 2000 esse número subiu para 25% de mulheres que fazem uso constante do cigarro. Sant'Anna afirma que o cigarro, independentemente do sexo, é um dos piores inimigos para o coração, juntamente com o colesterol e a hipertensão. ''As substâncias do cigarro oxidam a camada interna das veias e impedem que as mesmas se protejam do acúmulo de gordura'', explica.
Outro componente que aumenta os riscos são as variações hormonais das mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais ou que pararam de menstruar. Isso porque o hormônio feminino, o estrogênio, é um protetor natural contra problemas cardiovasculares, uma vez que atua como dilatador das veias. Com o uso das pílulas e com a chegada da menopausa, a produção desse hormônio diminui e o organismo fica mais exposto ao males do coração. Infelizmente, para esses casos a reposição hormonal, segundo o cardiologista, não resolve. ''O hormônio da reposição é sintético e, além de não ajudar nos problemas do coração, ainda pode causar câncer. O ideal é que seja usado com cautela e por pouco tempo'', ressalta. Os números comprovam o mal: o cardiologista afirma que uma mulher que fuma tem seis vezes mais chances de sofrer do coração e em uma mulher que fuma e usa pílula esse número sobe para 30 vezes mais chances.
Estoque de saúde Os homens continuam sendo mais sensíveis aos problemas cardiovasculares, mas uma mulher de 70 anos tem as mesmas chances de sofrer uma parada cardíaca que um homem na mesma idade. Esse é um dos agravantes do tratamento em mulheres. Os problemas, em geral, só começam a aparecer depois de oito ou dez anos depois da menopausa, enquanto que nos homens eles surgem mais cedo. A mulher de 40 tem poucas chances de sofrer um infarto mas, com o passar do tempo, ela sofre o mesmo risco dos homens. Os maus hábitos durante a vida e a queda de produção do estrogênio são os responsáveis por essa igualdade dos sexos. Segundo Sant'Anna, a saúde funciona como uma espécie de poupança, é necessário guardar um bom estoque para quando a velhice chegar. ''Uma pessoa que se alimenta mal, não faz exercícios regularmente, leva uma vida estressada e fuma, está gastando a saúde que será necessária depois. É preciso se cuidar desde cedo'', alerta.
Para garantir um futuro tranquilo para o coração, seja homem ou mulher, são necessários cuidados simples. Manter uma boa alimentação, não fumar, fazer exercícios físicos aeróbicos pelo menos 4 vezes por semana durante 40 minutos e visitar um cardiologista ao menos uma vez por ano. ''Qualquer pessoa até 40 anos de idade que não tenha problemas de saúde pode e deve fazer exercícios físicos aeróbicos. Depois dessa idade é necessário procurar um médico. E as mulheres, assim como os homens, precisam fazer exames de pressão e colesterol com um cardiologista a cada ano'', explica Sant'Anna. n


