As rendas poderiam muito bem ser usadas como metáforas para as mulheres contemporâneas. Ao mesmo tempo que são delicadas, transpiram sensualidade e, como mostrou a recente temporada de desfiles outono-inverno, também conseguem se destacar num mundo austero. Entre tweeds e casacos de alfaiataria, não por acaso emprestados dos guarda-roupas masculinos, a renda impõe sua feminilidade no vazado das flores, na transparência e na leveza dos tecidos.
Na última edição da São Paulo Fashion Week, a coleção da estilista Gisele Nasser colocou as rendas como base para um conto de fadas com final surpreendente. A sapeca Chapeuzinho Vermelho, quem diria, foi feliz para sempre com o Lobo Mau, que na verdade não era tão mau assim, mas muito apaixonado.
No Nordeste brasileiro, as rendeiras sustentam famílias inteiras com seu precioso trabalho artesanal. A grife Cavalera foi até a Paraíba atrás de artesãs das belíssimas rendas renascença, uma das mais trabalhosas de se confeccionar. Para uma peça ficar pronta são necessários muitos dias, muita criatividade e muita paciência. Não parece mesmo a vida de uma mulher?
Mas no outono-inverno, que por sinal começa a desembarcar ainda este mês nas lojas, as rendas industrializadas são as vedetes. Mais práticas e ainda assim passando o recado feminino. Se a princípio os tecidos rendados não parecem combinar muito com os dias frios, a dica é mixar o leve com o pesado. Sob o casaco surpreenda com um vestido de renda.
Até o casaco pode ser rendado se tiver um forro que o acompanhe. A estilista Erika Ikezili aposta nas leggings de renda para serem usadas sob saias e vestidos. Já a carioca Tessuti lembra os glamourosos anos 1950 e une tops justos de renda a saias de cintura marcada.

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