Quando o homem, milhares de anos atrás, decidiu se levantar e passar a andar ereto teve grandes vantagens para sua evolução: a caixa craniana se desenvolveu e o cérebro ficou maior. E com as mãos livres, passou a criar e utilizar ferramentas para a caça e o plantio e ainda obteve uma visão mais privilegiada do que os outros animais quadrúpedes.
Mas se manter em pé custou um preço alto que todos pagamos até hoje: os problemas de coluna, causados pela força da gravidade e pela má postura. Um dos mais comuns é a hérnia de disco, doença causada pelo deslizamento do material cartilaginoso presente nos discos entre as vértebras. Com o deslizamento, o espaço entre as vértebras diminui, causando um encurtamento da coluna e a compressão das estruturas nervosas.
''As hérnias de coluna podem ser frontais ou posteriores. As que se deslocam para a parte da frente da coluna não comprometem a estrutura nobre e, portanto, são menos perigosas. Já as que se deslocam para trás comprimem a coluna vertebral e podem trazer consequências graves, como a tetraplegia. Mas ambas causam dor, perda da sensibilidade em alguma parte do corpo e de força muscular'', explica a professora de educação física Luciane Merecy Pedrollo Becegato.
Ela diz que as hérnias surgem principalmente em adultos, mas podem acontecer também em pessoas mais novas. ''Eu mesmo desenvolvi uma hérnia quando tinha 30 anos porque me exercitava em excesso. As principais causas são o sedentarismo, o excesso de exercícios físicos, a má postura e traumas provocados por quedas ou pancadas. As hérnias acontecem em qualquer disco da coluna e aquelas locallizadas na parte mais superior são as mais perigosas'', comenta.
A boa notícia é que a doença pode ser estabilizada e seus efeitos anulados com exercícios físicos corretos. ''A primeira coisa que os médicos dizem quando um paciente tem hérnia é que as atividades físicas devem ser interrompidas. Isso acontece pelo receio que os profissionais têm de que os exercícios sejam feitos de forma inadequada, o que poderia piorar o quadro do paciente. Realmente, a pessoa não pode mais fazer esportes sem acompanhamento, mas se um personal especializado ou fisioterapeuta estiver junto, os exercícios podem ajudar muito a melhorar a doença'', afirma Luciane.
Segundo ela, a combinação de aparelhos de musculação, trabalho isométrico (realizado com bastões, bolas e cordas) e alongamento é uma ótima opção para aliviar as dores e devolver os movimentos. ''O importante é fortalecer os músculos sem causar a rigidez típica de quem exagera nos pesos. O objetivo é melhorar a qualidade de vida do aluno. A hérnia não tem cura, mas os exercícios melhoram muito. Geralmente o trabalho começa com um fisioterapeuta, que irá tirar a dor. Depois o educador físico faz um treino para que a dor não volte'', explica.
O médico patologista Ronaldo Vasconcellos Barros desenvolveu hérnia há seis meses devido à má postura adotada durante horas de trabalho sob os microscópios. A doença foi detectada quando os exercícios na academia começaram a causar dor. ''Eu sempre pratiquei esportes mas percebi que meu corpo não estava aceitando mais. Meu pescoço doía bastante e comecei a perder força e sensibilidade na mão direita. Procurei um médico e os exames deram o resultado de hérnia'', conta ele.
Depois de um período de dois meses com sessões semanais de fisioterapia, Ronaldo voltou aos aparelhos de musculação e alongamento. ''Com alguns meses de atividade acompanhada eu não sinto mais dor, a força da mão voltou e a curvatura do pescoço, que tinha sumido por causa da doença, está se formando outra vez'', conta ele.
De acordo com Luciane, o diagnóstico precoce de Ronaldo foi fundamental para que o resultado do tratamento fosse tão satisfatório. ''Para evitar a hérnia, é preciso cuidar da postura e fazer atividades físicas de forma correta. A melhor maneira de lidar com o problema é ficar atento a qualquer dor que o corpo demonstre. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais fácil será o tratamento. O Ronaldo está livre de fazer uma cirurgia graças aos exercícios físicos, que estão corrigindo o problema'', completa Luciane.

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