Adepta dos trabalhos manuais e já craque em fazer o enxoval dos netos, há cerca de 10 anos a professora aposentada Luiza Mariana Sodré Prado começou a fazer aulas de patchwork. Ela conta que esperava a chegada da quinta netinha, já gostava desta forma de arte e queria fazer um enxoval diferente. "Eu estava aposentada, já costurava e por isso resolvi aprender", diz.

Mais quatro netos depois, Mariana começou a se dedicar a fazer panos de prato, usando a técnica de unir os tecidos. No início eram para ela e as filhas, mas depois começaram a chegar encomendas de parentes e amigos, que ficavam encantados com o trabalho.

"Um dia, uma das minhas filhas me propôs que começássemos a fazer os panos de prato para vender. Oferecemos em uma loja no Mercado Shangri-lá, a proprietária gostou e assim começamos. No início minha filha e até meu marido, que também é aposentado, me ajudavam. Ele era dentista e por isso leva jeito para trabalhos manuais. Um tempo depois ela foi trabalhar com o marido e ficamos meu marido e eu", explica.

Em julho do ano passado Luiza Mariana descobriu um nódulo no seio, precisou ser operada e fazer quimioterapia. Na mesma época, perdeu a mãe, que residia com ela e era sua companheira de trabalho. Então ela decidiu parar com as aulas e os panos de prato.

"Eu não tinha mais ânimo para nada. A quimio deixa a gente mal, além disso eu entrava no quarto de costura e me lembrava da minha mãe, que sempre estava ao meu lado, me vendo trabalhar. Mas os clientes começaram a pedir pelos panos de prato, eu também sentia falta das colegas de aula e no final do ano voltei a costurar. Agora em fevereiro, quando retornaram as aulas, voltei para a escola. Estou fazendo apenas radioterapia, me sinto melhor e o patchwork é uma terapia. Nós rimos, conversamos, viramos uma família."

Outro motivo para ela voltar às aulas é sempre estar conhecendo as novidades. Luiza Mariana diz que o patchwork é uma arte dinâmica, com muitas ideias, mas que exige persistência. "Quando comecei, por já costurar, achei que ia chegar e fazer muitas peças. Mas minha professora é metódica, gosta de ensinar (as técnicas) do início. Minha dica é não desanimar, o patchwork é muito mais do que juntar paninhos!" (E.G)

Imagem ilustrativa da imagem 'Muito mais do que juntar paninhos'
| Foto: Foto: Marcos Zanutto
"O patchwork é uma terapia. Nós rimos, conversamos, viramos uma família", diz a a professora aposentada Luiza Mariana Sodré Prado (primeira à esquerda)
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