Muito além do inglês
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Ter domínio da língua inglesa já não é mais um diferencial no currículo de ninguém. Por ser considerado um idioma universal, falado em qualquer país do mundo, o inglês se tornou lugar-comum para quem busca uma boa vaga no mercado de trabalho. Por motivos geográficos, uma vez que todos os nossos vizinhos falam a língua, e também mercadológicos, o espanhol já entrou na lista das exigências básicas para uma carreira de sucesso.
Mas alguns jovens optam por outro caminho na hora de escolher um idioma e partem para o estudo de línguas como alemão, francês, italiano ou chinês. De acordo Edcléia Cazarini Bueno Platz, gerente de relacionamento da Wizard, que oferece cursos de inglês, espanhol, francês, alemão, japonês, italiano, chinês e português para estrangeiros, dependendo do período, depois do inglês, o alemão e o francês são os mais procurados. ''O espanhol não é tão solicitado porque as pessoas acham que sabem se comunicar por causa da proximidade com o português'', explica.
Para ela, o motivo mais comum para o estudo de línguas aparentemente pouco faladas também é o mercado de trabalho. ''Geralmente, as pessoas procuram esses cursos depois de fazer inglês, como uma forma de melhorar o currículo. A escolha depende da área em que elas estudam. Quem quer se especializar ou conseguir um emprego melhor precisa ter mais do que o inglês. Mas também temos aqueles que decidem aprender outro idioma apenas por empatia, pelo desejo de saber uma língua. Além disso, temos os descendentes que querem aprender a língua dos avós e dos pais'', afirma.
Sucesso na carreira
Para o estudante de desenho industrial Diogo Ribeiro de Andrade Braga, a vontade de se destacar na profissão foi o motivo que o levou a buscar o alemão depois de já ter estudado inglês e espanhol. ''Pretendo trabalhar na área de design automobilístico e as maiores montadoras do mundo são alemãs. Termino a faculdade e o curso de alemão este ano e já tenho um estágio na Mercedes-Benz para o ano que vem. Tenho interesse de morar na Alemanha e sem o idioma seria impossível conseguir essa vaga'', comenta.
Mesmo quem ainda nem chegou na faculdade já vê no aprendizado de idiomas alternativos uma porta para o sucesso na carreira. A estudante Marcella Yuri Nakano Kono ainda está no ensino médio, mas já se prepara para encarar o mercado internacional estudando chinês. ''Quero fazer comércio exterior e já estou terminando o inglês. Como os negócios com a China estão aumentando e eles dão preferência para quem fala o idioma, decidi começar a estudar. Pelo mesmo motivo quero estudar árabe depois. E também tem o lado cultural desses países distantes, que é muito legal de aprender. Mesmo que não seja útil no trabalho, aprender um novo idioma sempre vale a pena'', afirma.
De acordo com a diretora geral da Aliança Francesa, Elisabeth Dei Ricardi, alunos de áreas como direito, medicina, fisioterapia, moda, arte e gastronomia são maioria nas turmas de francês. ''Eles querem conhecer o idioma para poder ler livros e artigos originais, fazer mestrado ou doutorado e também conseguir emprego nas mais de 350 empresas francesas existentes hoje no Brasil. Nessas companias, saber francês é fundamental para alcançar uma vaga'', garante. ''Também estamos atendendo muita gente que pretende imigrar para Quebec (Canadá). O governo exige um mínimo de 150 horas de francês para aprovar a imigração'', completa a diretora pedagógica da Aliança Francesa, Valéria Nonino Alcântara.
Europa à vista
A vontade de trabalhar com direito ambiental e estudar na França fez a estudante de direito Juliana Barata Procópio se interessar pelo idioma. ''Sei que essa área do direito é bastante desenvolvida lá. Outra coisa que me atrai é a cultura francesa. Amo o país, os filmes, a poesia. Já me formei em inglês, mas por uma questão de necessidade mesmo. Já francês eu estudo porque gosto muito, é uma língua apaixonante'', diz.
A cultura também é motivação para o estudo do italiano. Segundo a diretora da escola Corso Italia, Dorothy Fraccalvieri, a história e a cultura italianas encantam as pessoas. ''Mas a questão mercadológica ainda é a razão maior. Alunos de direito são maioria, uma vez que o Código Civil Brasileiro é baseado no código italiano. Muitos querem estudar na Itália e precisam aprender o idioma. Também recebemos muitos alunos de moda, arquitetura e engenharia'', afirma.
Todos esses motivos motivaram a arquiteta Camila Andrade Maricato, que já é formada em inglês, a fazer um curso de italiano há um ano e meio. ''Sou descendente de italianos, minha profissão também pede o conhecimento da língua e sempre achei o italiano lindo. Gosto da música, dos hábitos e da cultura desse país. Graças ao curso realizei o sonho de viajar para a Itália e ter contato com o povo. A escola montou um grupo e ficamos duas semanas por lá. Foi sensacional para mim, tanto no aspecto pessoal quanto profissional.''


