Xadrez, dança, esportes, culinária, robótica, idiomas, projetos, computação, oficina de arte e pintura, patinação... Atualmente são várias as atividades extras presentes na vida dos alunos.

Segundo a Associação Brasileira de Psicopedagogia, as atividades extracurriculares melhoram a autoestima e a sociabilidade das crianças e dos adolescentes.

O Ministério da Educação apontou que através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a nota dos estudantes que frequentaram cursos de língua estrangeira, informática e pré-vestibular foi de até 17 pontos acima da alcançada por aqueles que tiveram pouca ou nenhuma oportunidade de fazer atividades extras.

Em 2008 foi sancionado um projeto de lei que institui o ensino da música nas escolas públicas e particulares de ensino básico. Há estados em que o xadrez passou a fazer parte do currículo das unidades escolares estaduais de ensino.

Nas escolas particulares, a seleção dessas atividades empregadas aos alunos é feita a partir da necessidade deles. No colégio PGD, durante o processo de seleção é levado em consideração, conforme a diretora pedagógica Patricia Góis Bonesi, se as atividades analisadas e propostas farão diferença no desempenho acadêmico e na formação desses estudantes.

"Quando pensadas, analisadas e selecionadas, além de complementarem e enriquecerem a vivência acadêmica e o processo da formação, as atividades extras promovem a socialização e fazem com que o aluno demonstre que é proativo mesmo quando não se está em sala de aula", explica ela.

A diretora afirma que a aceitação dos alunos às atividades é muito significativa e isso os ajuda a gostar cada dia mais da escola. Ela diz perceber um ganho na autoestima dos estudantes e no desenvolvimento das suas potencialidades. "Em alguns momentos são os próprios alunos que pensam e sugerem as atividades", completa.

Para a professora do departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Luiza Macedo Abbud, quando pensamos em educação escolar fazemos uma ideia de conteúdo como aqueles compostos de referências aos conhecimentos sistematizados nas áreas das linguagens escritas, da matemática e das ciências.

Segunda ela, essa é a forma que a educação, ao deixar de ser entendida como prática social e generalizada, constitui-se em tarefa especializada a partir de um conjunto de conhecimentos privilegiados pela sociedade letrada.

"Tal esclarecimento é necessário para que possamos entender que a tarefa educativa, realizada na escola ou fora dela, não se resume à transmissão de um grupo restrito de conhecimentos produzidos pela humanidade, aqueles tradicionalmente transmitidos pela escola", diz ela.

Em meio aos prós e contras das diversas atividades nas escolas, Maria Luiza ainda considera que isso é uma consequência da vida atual, em que cada família fica abarrotada com os compromissos que assume e as crianças "sobram". "O que implica abarrotá-las também em um espaço hipoteticamente seguro", analisa.

A professora ainda defende que a maior parte das atividades propostas como extras tem razão de ser e poderia oferecer contribuições para a formação se fossem analisadas sob dois pontos: a do modismo e a da adequação da atividade aos interesses e preferências da própria criança.

Imagem ilustrativa da imagem Muito além do aprendizado
| Foto: César Augusto
Os gêmeos João Vitor e João Pedro: atividades extras no Ensino Médio ajudam no bom desempenho escolar e crescimento como cidadãos



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