No meio de um dia muito estressante, Terezinha Nakagawa deixou o escritório de comércio exterior onde trabalhava e saiu para caminhar a ermo em uma tentativa de se livrar da pressão do cotidiano. No meio do caminho, avistou uma escola de dança de salão e, de cima do sapato de salto que a incomodava, admirou a felicidade dos alunos que acabavam de sair de uma aula. ''Entrei na escola sem pensar muito e, quando vi, já estava fazendo uma aula experimental. Isso foi há sete anos. Desde então, nunca mais parei. A dança mudou a minha vida'', revela.
Como Terezinha, muita gente procura as academias de dança de salão com um objetivo que extrapola a simples vontade de fazer bonito nos salões de baile. Praticar uma atividade física, combater o estresse e até mesmo ganhar uma vida social com mais amigos são os motivos que, cada vez mais, aumentam a procura pela prática.
E os dançarinos não se limitam aos ritmos tradicionais. Modalidades como tango, samba de gafieira, zouk e o novo west coast (dançado ao som do blues norte-americano) desafiam os casais que não se contentam com a mesmice dos passos.
Terezinha - que deixou o trabalho estressante e hoje é cabeleireira - não se satisfez apenas com as danças tradicionais. Ao descobrir o tango, passou a dedicar-se ao ritmo e se apaixonou. ''Achava que era impossível aprender, mas consegui'', conta ela, que já viajou a Buenos Aires, na Argentina, para participar de cursos em um festival do estilo. ''Foi inesquecível'', recorda-se.
Sobre a vida depois de descobrir a dança, ela garante que se tornou muito mais feliz. ''Tenho amigos, vou aos bailes e não perco os eventos de tango da cidade. Tendo sido criada do modo tradicional japonês, foi através da dança que aprendi a ser livre'', entusiasma-se.
Samba de gafieira
O técnico em informática Alan Pereira Cândido procurou as aulas de dança de salão depois de ter passado ''vergonha'' em uma casa de shows. ''Chamei uma moça para dançar e não consegui acompanhá-la. Entrei na academia para aprender e fazer bonito no salão'', admite.
No início, o objetivo era dançar sertanejo e forró. ''Comecei a ver o pessoal dançando samba de gafieira e tive vontade de fazer algo diferente'', conta ele. Dois anos depois, o interesse pelo samba virou paixão. ''É meu hobby, minha vida social e minha atividade física. Dançar é uma ótima válvula de escape para quem passa o dia inteiro entre quatro paredes'', afirma ele, que costuma praticar a dança com a gestora escolar Simone Brustz.
Com os finais de semana ocupados pela dança, ele garante que, atualmente, tem mais saúde e muito mais amigos. Até as segundas-feiras tornaram-se mais agradáveis. ''Dançar me dá mais disposição para o trabalho'', diz.

Imagem ilustrativa da imagem Muito além de fazer bonito no salão
| Foto: Olga Leiria
A cabeleireira Terezinha Nakagawa faz aulas de tango com o professor Deivid Mendas: ''Foi através da dança que aprendi a ser livre''
Imagem ilustrativa da imagem Muito além de fazer bonito no salão
O técnico em informática Alan Cândido e a gestora escolar Simone Brustz:
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