Muito além da beleza
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sexta-feira, 07 de novembro de 2003
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
As pernas são um dos pontos femininos que mais chamam a atenção com relação à beleza. Bem torneadas, sem marcas, são trunfos para a conquista. Mas, muito além da estética, é preciso lembrar que a saúde das pernas é fundamental. Isso porque doenças comuns como varizes, flebite e arteriosclerose comprometem a beleza e causam dores e dificuldade para andar.
De acordo com a cirurgiã vascular Glaucia Elizabete Galvão, as varizes e a flebite atacam principalmente o sexo feminino, em uma proporção de seis mulheres para cada homem. O uso de hormônios como método anticoncepcional, a gravidez e a propensão genética favorecem o surgimento dos vasos. Hábitos como fumo, salto alto e má alimentação também são responsáveis pelo comprometimento das veias das pernas. Aliás, as varizes já são antigas conhecidas das mulheres, e surgem devido à má circulação do sangue nas veias das pernas, que incham, estouram e adquirem um aspecto avermelhado e desproporcional.
O tratamento para as pequenas varizes é feito com aplicações de um gel que queima as veias, fazendo com que elas sumam. O problema maior ocorre quando as varizes não são cuidadas corretamente antes de se tornarem algo mais sério. Com o tempo, a veia danificada começa a inflamar, dando origem à flebite.
Glaucia afirma que existem dois tipos de flebite: a leve e a grave. Nos dois casos, o problema maior é a dor provocada pelo inchaço. ''Nos casos mais simples, que chamamos de trombose superficial, o tratamento é feito com antiinflamatórios e repouso. Para aquelas mais graves, é necessário até o internamento do paciente'', alerta.
Se não for tratada, a flebite pode causar manchas e feridas nas pernas e comprometer a locomoção. O problema mais grave com relação às veias dos membros inferiores é a arteriosclerose. Assim como qualquer outro tipo de arteriosclerose, as veias principais começam a acumular gordura, devido à alimentação inadequada e à falta de atividade física, e comprometem a circulação do sangue.
O tratamento exige cateterismo e angioplastia, ou cirurgias vasculares para casos mais sérios. ''Quando a pessoa tem arteriosclerose, ela não consegue dar nem dez passos. Se não tratar, corre o risco de perder a perna'', comenta. Diferente das varizes, a arteriosclerose pode atacar homens e mulheres na mesma proporção.
Independentemente do problema, a especialista afirma que é possível perceber que algo não está bem com as pernas. Os primeiros sintomas são dor, cansaço para andar e inchaço. ''Se a pessoa perceber algum desses sinais, é importante procurar um médico e fazer o tratamento antes da situação se agravar'', alerta.
A dica para prevenir varizes e flebite é movimentar as pernas com frequência, mas evitar exercícios de alto impacto. ''Quem tem tendência a desenvolver varizes deve fazer exercícios na água, que não oferecem impacto'', ensina Glaucia.
Quase desconhecida Outra doença que afeta tanto as pernas masculinas como as femininas, conhecida como ''síndrome da pernas inquietas'', foi descoberta em 1947 por um neurologista sueco. A patologia ainda é pouco difundida e, muitas vezes, diagnosticada como doença de Parkinson. Ela é caracterizada por uma forte vontade de mover os pés e um grande desconforto nas pernas, que aparece geralmente durante o sono. Médicos acreditam que a doença atinge cerca de 5% a 10% da população de países ocidentais. Por enquanto, somente na Alemanha e na Suíça existe um medicamento aprovado, à base da substância pramipexol, para tratar o problema.
As principais características da síndrome são formigamento, câimbras, repuxões e pontadas nas pernas. O incômodo passa se o portador manter-se em movimento, o que dificulta o sono e causa irritabilidade. A doença pode surgir esporadicamente ou ser hereditária e aparece geralmente em pessoas idosas, embora existam casos de pacientes que reclamam de incômodos nas pernas desde a infância. Estudos indicam que a síndrome pode ser causada por um distúrbio do sistema nervoso central ou dos nervos periféricos, mas alcoolismo, anemia, gravidez e diabetes também podem ser agravantes do problema.n


