Muito além da aparência
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Vivian Fukushima<BR>Reportagem Local 
Comprar roupas e sapatos novos, ir a salões de beleza e centros de estética toda a semana, frequentar sessões de pilates, massagens, spas, e até mesmo clínicas de cirurgia plástica para corrigir imperfeições. Uma vida de princesa para a maioria das mulheres que busca dar um up na aparência. Mas todos esses procedimentos são mesmo capazes de fazer qualquer mulher se sentir mais bela e ter sua autoestima elevada? Segundo Márcia Sel, psicóloga e psicoterapeuta corporal, não.
"Alguns cuidados com o corpo refletem a preocupação com a saúde e isso é muito importante para qualquer pessoa. Porém, muitas mulheres fazem dos tratamentos estéticos uma válvula de escape para seus problemas. Elas realmente acreditam que a beleza vai resolver outras carências, o que não acontece", explica.
Outro ponto bastante destacado pela psicóloga é a questão do prazer. Existe hoje no mercado uma infinidade de opções voltadas à beleza feminina, que vão desde produtos a tratamentos. No entanto, segundo Márcia, a escolha não deve ter uma relevância maior que o bem-estar. "Atualmente, as academias oferecem inúmeras aulas que prometem deixar tudo no lugar. O que está na moda, por exemplo, é o pilates, uma atividade, inclusive, muito boa. Porém, há pessoas que aderem a esse exercício simplesmente porque hoje todo mundo faz e não porque gosta".
Em relação às cirurgias plásticas - promessas de milagre no imaginário de muitas mulheres - a crítica é para aquelas que nunca estão satisfeitas com o resultado alcançado. "Enquanto a mulher não se conhecer, sua autoestima não vai aumentar e logo essa paciente voltará à mesa de cirurgia", diz. Márcia frisa também que cuidados com a aparência não são ruins e ajudam, sim, a elevar a autoestima. "Sentir-se bem e bonita é o que toda mulher procura. E é algo saudável, desde que pautado em vontades e experiências pessoais e não impostas pela sociedade", explica.
Autoestima ferida De acordo com a psicóloga, hoje é muito fácil mexer com a autoestima das mulheres. Isso porque, devido ao acúmulo de funções, elas sofrem uma pressão muito grande da sociedade. Márcia conta que é cobrado da mulher moderna que ela seja boa mãe, boa esposa, cuide bem da casa, seja economicamente ativa, e ainda, que esteja sempre bonita. "Nós somos mulheres e não super- heroínas, e é claro que em um ponto ou outro, vamos fracassar. Ou melhor, teremos que optar em qual deles vamos nos dedicar mais, o que é algo normal. No entanto, esse acúmulo de papeis e, consequentemente, a falha em algum deles, fere profundamente a autoestima da mulher".
Cuidados de mãe para filha - Para uma menina de quatro anos, brincar de arrumar o cabelo, se maquiar, pintar as unhas e usar os sapatos de salto alto da mãe, pode ser bem divertido. Porém, é saudável? Márcia afirma que com relação à educação infantil, o saudável é brincar. E se tudo isso não passa de uma brincadeira, então, é saudável. "O problema é quando esses atos viram compromisso. Por exemplo, se uma criança largar tudo o que está fazendo para ir ao salão com a mãe fazer as unhas e ela fica chateada caso não possa ir, isso não é bom, e pode ter certeza de que ela não estará elevando sua autoestima com essas ações", explica.



