Mudar hábitos pode evitar câncer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de abril de 2001
Da Redação 
O câncer tem cura e 70% dos casos poderiam ser evitados com cuidados simples e mudança de hábitos. É o que mostra a campanha de prevenção lançada pelo Hospital do Câncer de São Paulo e produzida pela Espiralcom, que está sendo veiculada em todo o País. A ação tem como objetivo desmistificar a doença marcada no Brasil pela falta de prevenção e pelo diagnóstico tardio e diminuir a incidência dos tumores mais comuns, entre eles pele, útero, pulmão, mama e próstata.
Com veiculação prevista para até dezembro de 2001, a campanha vai mostrar que os tumores de maior incidência no Brasil (pele, pulmão, útero, mama e próstata) são também os de mais fácil prevenção ou diagnóstico e que a atitude das pessoas diante da doença é fundamental para reverter o quadro do câncer no Brasil.
A campanha contará com dois filmes para televisão e cinema, três anúncios de mídia impressa, outdoors e peças publicitárias que serão veiculadas em traseirões e abrigos de ônibus das principais cidades brasileiras. Um dos filmes, que leva o título Câncer de Atitude, mostra a essência da campanha. Na primeira cena do comercial, uma bela garota se bronzeia à beira da piscina. Depois de seduzir o olhar do telespectador, surge a legenda Câncer de Vaidade, alertando para os riscos de câncer de pele que a exposição excessiva ao sol podem acarretar. Em outra passagem, um garotinho ao lado da mãe se submete a uma seção de curandeirismo, numa típica cena brasileira. A legenda contrapõe: Câncer de Crendice.
Do uso do cigarro como elemento de glamour à recusa do exame de toque para detecção de câncer de próstata, os inimigos da prevenção à doença vão sendo atacados. A idéia é passar a mensagem de que câncer não significa mais o fim da vida. A doença pode ser vencida e isso depende basicamente do comportamento das pessoas.
Pesquisas A campanha faz parte de um programa de difusão de informações criado pelo Hospital do Câncer, que terá a duração mínima de cinco anos. O Hospital do Câncer, principal centro de pesquisas, tratamento e ensino sobre a doença na América Latina, deflagrou no início de janeiro essa campanha nacional para ajudar a reverter os alarmantes números do câncer no Brasil. Em meio à desinformação, mistificação e preconceito, a doença é marcada pela falta de prevenção e diagnóstico tardio, característica típica de países subdesenvolvidos.
Criada pela agência de publicidade J.W.Thompson, a campanha conta com o apoio das principais empresas de comunicação do país, entre elas Rede Globo, Editora Abril e Folha de São Paulo. Em países ricos, o diagnóstico precoce é uma regra no combate à doença.
Diagnóstico Nos EUA, por exemplo, a relação entre o número de casos detectados a cada ano (2,5 milhões) e o número de mortes (550 mil) é de 22%. No Brasil, com 284 mil novos casos e 114 mil mortes por ano, a relação é de 40%. Em câncer de pele, campeão de incidência no país, com mais de 40 mil casos só este ano, o diagnóstico precoce, por exemplo, resulta na cura de quase 100% dos casos. O mesmo ocorre com o câncer de colo do útero, o segundo de maior incidência entre as mulheres, causado pelo Papiloma Vírus (HPV), que pode ser facilmente eliminado quando detectado precocemente com simples exames laboratoriais.
Fundado em 1953 por Antônio e Carmen Prudente, o Hospital do Câncer foi a primeira instituição de saúde do país especializada no tratamento da doença em adultos e crianças. Tornou-se modelo de ensino e tratamento para todos os centros que vieram depois. Acaba de ser escolhido como Centro Mundial de Câncer de Boca e reconhecido como o maior fornecedor de matéria-prima para o Genoma Mundial do Câncer. Em quase 50 anos tratou de mais de 300 mil pacientes, a maior parte de baixa renda. Hoje, a cada ano, detecta e trata cerca de 5.500 novos casos e realiza mais de 130 mil consultas e 4.700 cirurgias. Os trabalhos são conduzidos por uma equipe multidisciplinar de 200 oncologistas, capacitados a tratar os 802 tipos de tumores conhecidos pela medicina.
Campanha
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