Morar junto pode manter o clima de eternos namorados, diz psicóloga
De acordo com a psicóloga Patrícia Napolitano Ramos, especialista em aconselhamento familiar, as pessoas vêm buscando formas alternativas de se relacionar, mas o casamento ainda é uma instituição modelo. Apesar de o número de uniões não convencionais estar crescendo a cada década, o fato é que grande parte das pessoas acaba se casando depois de um tempo de relacionamento. Nunca atendi casais que estão juntos há 20 anos sem ter legalizado a situação, constata.
Ela explica que existe a noção de que no casamento as pessoas se assumem como adultos. É um rito de passagem para a vida adulta completa, diz, sugerindo que a união não convencional pode ser uma recusa a esse padrão seguido (e imposto) pelos pais. Já a concepção de morar junto é mais leve, pois o laço que une o casal é apenas o romance. Funciona mais ou menos assim: mora-se junto por vontade própria; casa-se por obrigação.
Em tese, prossegue a psicóloga, a separação é mais natural quando não se assume o casamento no papel. Se só o amor prende o casal romper fica mais fácil e, portanto, se tem mais cuidado com a relação. Já no casamento, os laços são mais estabelecidos. Saimos do âmbito privado para entrar no público, o que traz mais responsabilidades. Separar-se já não é uma decisão baseada apenas no sentimento, argumenta.
Segundo Patrícia, os conceitos de marido e esposa carregados de um peso muito grande só vêm à tona se a união for legalmente legitimada. No morar junto é difícil nomear os papéis do casal. Não são namorados, noivos nem marido e mulher, observa. Companheiros talvez seja o termo mais adequado. Ela conta que há histórias de casais que moraram juntos por 10 anos e, quando resolveram se casar, o relacionamento acabou. A legitimização da relação acaba trazendo a bagagem familiar à tona, cobranças que até então não existiam porque não havia compromisso nem obrigações, como a de que o marido tem que ser o provedor da casa ou de que cabe à mulher a responsabilidade pelos serviços domésticos, exemplifica.
Ao longo de cinco anos de atendimento a casais e famílias, Patrícia pôde constatar que sintomas comuns ao casamento, como queixas, brigas e cobranças não costumam aparecer entre casais que moram juntos. De forma geral, podemos dizer que o relacionamento é mais harmonioso, afirma. Uma das razões para isso é a expectativa que se tem a respeito do outro no relacionamento. De acordo com a psicóloga, de forma geral, ao morar junto o casal encara o parceiro como um complemento para a sua felicidade. No casamento, as coisas mudam da foco e um passa a ser visto como o responsável pela felicidade do outro, uma verdadeira armadilha para a saúde da relação. (R.V.)





