Desde a revolução industrial, as mulheres buscam junto à sociedade direitos iguais aos dos homens. Muitas conquistas já foram adquiridas, entre elas iguais condições de trabalho, liberdade de costumes, direito ao voto e a cargos políticos. Talvez inspirados na atitude feminina, ou em decorrência dela, muitos homens também estão saindo em busca de igualdade. Agora, eles também se preocupam com aparência, estão mais sensíveis e começam a mudar a idéia de paternidade.
Pai moderno não se contenta apenas em prover o sustento da família e impor respeito aos filhos. Ele também quer ajudar na educação, acompanhar o desenvolvimento escolar e estar muito mais próximo dos rebentos. Tanto quer que já não são raros os casos de pais que pedem na justiça a guarda dos filhos quando uma separação acontece. De acordo com o promotor de justiça Tiago Oliveira Gerardi, desde a Constituição de 1988, a lei já define que homens e mulheres são iguais no que diz respeito ao poder sobre os filhos. ''E o novo Código Civil só colocou por escrito uma interpretação da lei que já acontecia'', explica.
Segundo o juiz de família Marco Antônio Massaneiro, nunca houve uma regra que privilegiasse as mães no momento de definir a guarda dos filhos. ''Era apenas um hábito deixar as crianças com as mulheres. E os homens não costumavam pedir para ficar com os filhos, isso vêm acontecendo apenas de uns anos para cá'', afirma.
Para a psicóloga da 2 Vara da Família, Salete Regina Coser, a única situação na qual os filhos devem ficar preferencialmente com a mãe é nos casos de bebês de colo. ''Uma criança muito pequena precisa ser amamentada e isso só pode ser feito pela mãe. E do ponto de vista psicológico, o contato com a mãe nos primeiros anos de vida é importante'', diz. Mas os pais também podem resolver as situações em que a mãe não tem condições de ficar com os filhos. ''Se a presença da mãe não for possível, é fundamental que a criança tenha uma companhia constante, que pode ser a avó, uma tia, babá ou até a namorada do pai'', aconselha Salete.
Com a nova maneira de se encarar a guarda dos filhos, em que a mãe já não é mais beneficiada, o que é levado em conta é a condição de cada um. ''Averiguamos o perfil psicológico, econômico e social do pai e da mãe para definir com quem fica o filho. Se o pai se mostrar mais capaz de dar à criança segurança emocional e condições de um bom desenvolvimento, é ele quem fica com a guarda'', garante o juiz.
A pscicóloga argumenta que existem muitos pais dispostos a se esforçar para cuidar dos filhos. ''Os homens ainda pedem pouco a guarda dos filhos, mas nos casos em que isso acontece, as crianças estão muito bem com eles. São maneiras diferentes de educar. A mãe é mais preocupada com a casa, a organização do cotidiano e a cobrança. Já os pais são mais tranquilos, aproveitam o tempo com as crianças em atividades de lazer'', afirma.
De acordo com ela, os pais que pedem a guarda dos filhos são homens com idade em torno de 35 anos e com bom grau de instrução. ''Apesar de eles aproveitarem bem o tempo com lazer, também estão preocupados com a educação dos filhos. Eles realmente querem estar perto das crianças e cuidar delas. Infelizmente, em alguns casos, fica claro o desejo ficar com a guarda para se livrar da pensão'', comenta.
Seja qual for a decisão de com quem os filhos irão ficar, Salete lembra da importância de ambos manterem o vínculo afetivo com os filhos. ''A qualidade de vida é garantida com a presença tanto da mãe quanto do pai. Se não é possível que o casal continue morando junto, que é a vontade de todos os filhos com quem eu converso, é fundamental que ocorram visitas semanais ou quinzenais, pelo menos. As pessoas precisam entender que o fim do casamento não significa o fim do laço parental'', finaliza. n

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