O Dia dos Pais é um dia de presentear e relembrar também... Do dia em que ele te ensinou a andar de bicicleta, do dia em que te ''salvou'' de um cachorro bravo ou de cair de uma árvore, das inúmeras broncas por suas noitadas e por chegar ''alegre'' em casa, do cinema nas tardes de domingo... Essas lembranças, e tantas outras, mostram o quanto ele é importante em nossas vidas, e nos faz pensar que talvez o maior presente para eles (e muito mais para nós) é simplesmente compartilhar a vida. A Folha da Sexta selecionou histórias de filhos e pais, comuns (outras nem tanto), mas singelas e emocionantes, para você também lembrar da sua história especial com seu pai e dar um gostoso abraço nele neste domingo...

''Foi uma convivência fortuita, mas muito intensa, que tive com meu pai. Por causa das prisões políticas (foram 17), ele não viu nenhum dos filhos (11, três deles adotados) nascer. Lembro que quando ele voltava para casa, passávamos a madrugada conversando, minha mãe mandando a gente dormir, mas, eu, principalmente, querendo saber de tudo. Era um cometa, que passava rápido, mas deixava um rastro de luz. Adorava os livros e foi um autodidata. Eu tinha mais ou menos 6 anos, quando pudemos visitá-lo na prisão em Marília. Nunca vou esquecer aquela cena, ele muito magro, aquele ambiente. Nossa casa era um dos QGs (quartéis-generais) para reuniões do partido comunista, e eu me lembro que a gente brincava embaixo da mesa enquanto aqueles homens conversavam e aplaudiam estalando os dedos, para não fazer barulho. Paguei muito caro por ser filha dele, foi uma vida de dificuldades, miséria - toda vez que ele era preso, minha mãe perdia os clientes (ela era costureira e também comunista), e a gente tinha que fugir. Mas, pagaria de novo esse preço, porque tenho muito orgulho de ser filha dele''

''Passei um momento muito difícil na minha vida quando fiquei viúva, aos 34 anos, com três filhos, e foi ele quem me deu força. Ele passou a ser pai dos meus filhos, hoje ele é avô e um paizão, meus filhos têm verdadeira loucura por ele. No ano passado, fiquei muito agoniada com a decisão do meu filho Renato, de 25 anos, que é advogado, de fazer teatro. A gente fica com aquele medo, porque é uma profissão difícil. Foi meu pai quem falou: ''Ele tem que fazer o que gosta, a realização é o mais importante''. Ele nos ensina todo dia o otimismo que a gente deve ter na vida'', conta Luciana.
''Desde a infância, meu pai sempre foi muito presente na minha vida, acompanhando meus sucessos e fracassos. Sempre que tenho alguma dificuldade recorro a ele, mesmo depois de casada. Minhas duas filhas também são muito ligadas a ele. Uma vez, ele mandou um presente para minha filha Viviane, que mora em Houston, nos EUA, e eu perguntei: ''Mas você não pôs nenhum bilhetinho junto?'', e ele respondeu: ''Não, ela vai saber quem mandou''. Era uma bandeira do Brasil e minha filha adorou'', lembra Evangelina ou ''Vanja'', como é mais conhecida.

''Em 96, nós dois passamos por um momento difícil. Ele fraturou o fêmur e ficou seis meses parado. Na semana em que voltou a trabalhar, e ainda se recuperando, fui eu quem precisou ser operado de um tumor na base do crânio. Mesmo no estado em que meu pai se encontrava, andando com o apoio de muletas, ele largou tudo e foi comigo para São Paulo, onde seria a cirurgia. Foi um momento difícil e estávamos juntos. Uma situação engraçada que vivemos com frequência é que atendemos no mesmo consultório, e mesmo cada um com sua clientela, o fato, às vezes, dá margens para pequenas confusões. Por exemplo, ele é o ''Júnior'' e algumas pacientes marcam as consultas achando que ele é o filho. Só pela cara das pacientes quando entram no consultório dá para perceber o ''engano''. Outra: as pacientes dele sempre comentam e perguntam sobre fotomontagens e fotos restauradas que ele tem na sua sala. Elas foram feitas pelo meu irmão, Reinaldo, e ele fala todo orgulhoso que o filho é fotógrafo. Uma vez meu pai estava viajando e a secretária sugeriu a uma paciente que se consultasse com o filho. E a paciente, assombrada, reagiu: ''Mas, como?! Ele é fotógrafo!''
Luís Carlos Alves Steffen, 39 anos, é filho de João Henrique Steffen Júnior, de 78 anos. Os dois são médicos ginecologistas.

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