Angela Raizer Barbosa
Dos primeiros sacos de dormir inventados pelos anglo-saxões às confortáveis camas king size criadas pelos americanos, muita insônia deve ter rolado até surgir uma cama nos moldes atuais. Da história dos anglo-saxões sabe-se que seus quartos nada tinham de privacidade. Os sacos de dormir eram preenchidos com palha e estendidos no chão ou, no máximo, colocados sobre uma bancada dura localizada na entrada da casa. Como esses povos comiam e dormiam num mesmo ambiente, na havia distinção de cômodos para uma mesma família.
Somente no século 16 é que surgiram os primeiros dosséis na Europa. Desde então, o que chamamos de cama não mudou muito em sua concepção original: uma base com laterais de madeira que serve de apoio para o colchão. O que sempre está mudando são as cabeceiras, verdadeiras molduras para o merecido descanso. Em madeira, ferro, tecido e outros materiais alternativos, a cabeceira é uma peça mutante e um dos itens que mais chamam a atenção dentro de um quarto, além, é claro, dos revestimentos que compõem o ambiente.
Os prazeres da cama Cabeceiras, lençóis, fronhas, edredons, colchas e almofadas sob medida para sonhos leves e quartos tranquilos: o arquiteto Álvaro Cortes faz a cama com a prática constante de quem exerce o detalhismo. Para início de conversa, ele aconselha: neste espaço tão íntimo, de recolhimento e repouso, mais do que em qualquer outro ambiente, tudo gira em torno do conforto. Conforto a partir do colchão duplo box spring e dos revestimentos de texturas macias. A utilização de materiais segue a escala de tendências de cada época. No caso das cabeceiras, cada vez mais alongadas, a madeira é uma tendência forte, porém, democrática, aceitando parcerias de tecidos e palhas de revestimento.
Mesmo revestida, a cabeceira não precisa ter compromisso com o material que reveste a cama e, sim, uma relação íntima com cores e texturas. Os tons repousantes ajudam nesse processo simétrico. E para quem não se atém a uma decoração rígida, uma sugestão básica: a cama pronta para usar, ou prêt-à-porter, como define Álvaro Cortes. Fugindo do ornamental, ela tem a característica visual de estar sempre pronta para dormir. Nada de tecidos escorregadios – bastam colchas de piquê ou lençóis dobra feita de puro algodão. Quatro travesseiros substituem as almofadas, com duas fronhas revestidas do mesmo jogo do lençol cobre leito e duas fronhas fazendo composição, um convite constante para o merecido descanso.
Para finalizar, o arquiteto chama a atenção para um detalhe prático: nada de interruptores acima da cabeceira – controles de luz e tomadas devem estar lateralizados ou 30 cm acima do piso, servindo às mesas ou consoles laterais, bases de apoio para abajures e objetos.A cabeceira da cama é uma peça mutante e um dos itens que mais chama a atenção no quarto
Paulo WolfgangCama contemporânea com forma acadêmica, em imbuia. Cabeceira com detalhes verticais, formando minifrisos. BrentwoodPaulo WolfgangEstilo clássico em cedro rosa com rádica italiana frassino. BrentwwodPaulo WolfgangA tendência, segundo o arquiteto Álvaro Côrtes, pede cabeceiras alongadas em madeira ou revestidas em tecido e palha especialPaulo WolfgangCabeceira e mesas de apoio em rádica bétula freeze, formando desenhos de lâminas em diagonal: moderna e pronta para usar. BrentwoodDivulgaçãoDesign contemporâneo de Márcia Kalil para a Quartos & ETC.DivulgaçãoA madeira escura contrasta com os revestimentos neste projeto de Ana Maria Bogar para a Quartos & ETC.Daniel MartinonCabeceira alongada botonada em espaços largos e revestida em tecido texturizado by Álvaro Côrtes

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