Modismo perigoso
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Rosângela Vale 
Engana-se quem acredita que o bronzeamento artificial é menos nocivo à pele por não conter os raios UVC, os mais perigosos de todos, que podem chegar à terra devido ao buraco na camada de ozônio. É igualmente um erro pensar que a ausência de raios UVB nas camas solares minimiza os efeitos negativos da exposição. Minutos de cama solar equivalem a horas de sol, adverte a médica dermatologista Rosa Calland, de Londrina, observando que propaganda dessas máquinas deveria ser como as de cigarro, que trazem o alerta prejudicial à saúde.
De acordo com ela, quando a pessoa se expõe ao sol e toma uma carga considerável de raios UVB, acaba ficando vermelha. Quer dizer, esse tipo de raio dá um alerta, ou seja, avisa quando a pele está queimando. Mas é preciso uma dose muito forte de UVA (predominantes nas camas solares) para causar eritema (vermelhidão). Rosa afirma que esse tipo de raio penetra mais profundamente na pele e envelhece mais, além de ser o responsável pelo tipo mais grave de câncer de pele. Embora o UVB esteja mais associado ao aparecimento do carcinoma, o UVA é o maior causador do melanoma, esclarece.
Fonte de vida Para a dermatologista, o bronzeamento artificial é uma sobrecarga de sol totalmente dispensável, já que a exposição a que estamos submetidos no dia-a-dia é suficiente para a síntese de vitamina D, que ajuda a prevenir a osteosporose e a estimular o psiquismo. É possível aproveitar apenas os benefícios do sol. Em pequenas doses, ele é fonte de vida.
Rosa ressalta que é preciso ter consciência de que o bronzeado é um modismo prejudicial à saúde: pode trazer consequências esteticamente indesejáveis, como rugas e envelhecimento precoces, e danos graves, como o câncer de pele. Segundo ela, nos últimos anos tem-se registrado um aumento de 5% a 10% da doença no Brasil. A partir do momento que a pessoa decide se expor ao sol para se bronzear, tanto faz o natural como o artificial. Não sou a favor de nenhum dos dois, diz a médica.
Por dentro dos riscos Quem se decidiu pela cama solar deve saber que existem alguns critérios para uma prática mais segura. A dermatologista informa que não devem se submeter ao bronzeamento artificial pessoas que se enquadrem em uma ou mais das seguintes situações de risco: pele muito clara, sardas no rosto e nos ombros, episódios graves de queimaduras solares ao longo da vida e pintas pelo corpo. Essas orientações fazem parte da primeira regulamentação abrangente para a prática da atividade no País.
Por meio de portaria, em vigor há mais de um mês, o Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria da Saúde de São Paulo passou a exigir exame prévio de todos os clientes que querem tostar-se nas máquinas. Quem tiver a aprovação médica precisa ainda preencher uma ficha com dados pessoais e assinar um termo de consentimento, no qual declara estar consciente dos riscos. Menores de 18 anos só podem submeter-se às sessões com autorização dos pais. A desobediência dessas regras pode render advertência, multa de até R$ 90,00 e até mesmo interdição do local. Agora é esperar que essa lei sirva de modelo para outros estados brasileiros e que as autoridades competentes tenham meios para fiscalizar seu cumprimento.


