Moderno pra cachorro
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Julie tem quatro anos e, por causa de uma protusão de disco na coluna, precisa fazer fisioterapia uma vez por semana. Na esteira aquática, ela consegue caminhar e, com isso, a esperança é que ela consiga adquirir força muscular e capacidade para andar de forma mais natural.
O diferente nessa história é que Julie não é uma criança, mas uma cadela da raça Daschound que passou por uma cirurgia para resolver um problema de disco na coluna e agora precisa de reabilitação.
Houve um tempo em que cuidar de um animal de estimação era simplesmente dar comida, banho e as vacinas necessárias. Hoje, elevados ao posto de membros da família, companheiros fiéis dos solitários, os fofinhos têm ao seu dispor um arsenal de tratamentos de saúde, de aparelhos ortodônticos a fisioterapia e acupuntura, sem falar nas cirurgias e medicamentos modernos, mais seguros e eficazes. Em grandes cidades norte-americanas os totós já têm até aulas de yoga.
''A Julie tem uma dona que não mede esforços para que ela tenha uma qualidade de vida melhor. Ela anda arrastando as patas traseiras, que perderam o movimento depois do problema na coluna. Já, na água, o peso diminui, e ela consegue mover as pernas e, com isso, fortalecer os músculos. O objetivo é que a parte motora esteja preparada para quando a parte neurológica voltar a responder'', explica o veterinário Marco Aurélio Sturion, da Cedivet (Centro de Diagnóstico e Apoio Veterinários).
Além de reabilitar os animais com trabalho de fisioterapia, a esteira também é usada por cães de exposição, que precisam definir a musculatura, e para aqueles que estão acima do peso. ''Ela também é indicada para problemas de joelho, artrose, luxações, atrofia e condicionamento físico, melhorando as condições cardiorrespiratórias'', afirma.
E as novidades não param aí. Nas clínicas especializadas já existem aparelhos para terapia a laser, ultra-som, acupuntura, florais de Bach. ''A fisioterapia não é isolada. Ela pode ser combinada com vários tratamentos complementares, que ajudam a tirar a dor do animal e a agilizar os resultados. Muitos casos já podem ser resolvidos apenas com esses tratamentos, sem a necessidade de cirurgia'', comenta o veterinário Domingos José Sturion.
As agulhas usadas para tratar enxaqueca, problemas de coluna e outros males são, segundo Domingos, uma boa opção para combater a dor nos animais. ''Uma possível origem da acupuntura é que ela tenha surgido na Índia, com os elefantes. É uma terapia usada nos animais há muito tempo no oriente'', garante.
Já o aparelho de terapia a laser é importante para a regenerar e cicatrizar tecidos de forma mais rápida. ''Ele pode ser usado para casos de displasia, tendinite, recuperação de cirurgias e problemas neurológicos'', diz Marco Aurélio.
Todos os tratamentos, e ainda processos alternativos como Florais de Bach e também odontologia, são recomendados pelos veterinários de cada animal. ''Mas também fazemos cirurgias e algumas vezes recebemos alguns animais para esse tipo de procedimento. Se percebemos que outros métodos podem dar um resultado mais fácil e menos doloroso, indicamos para o proprietário'', afirma Domingos.
Apesar de serem opções bastante novas nas clínicas veterinárias, os especialistas garantem que existem clientes interessados. ''Procuramos sempre trazer novidades para a clínica. A maioria dos animais tratados aqui são cachorros de pequeno porte, vistos como membros da família. Mas também atendemos cachorros de grande porte e gatos. São animais cujos donos realmente se preocupam com o bem estar deles'', explica Marco.


