Cada vez mais populares, os cigarros eletrônicos são motivo de controvérsia. Criados há vários anos, eles imitam o cigarro convencional, porém, em seu funcionamento a nicotina líquida é transformada em vapor, que é tragado e exalado. O produto não contém combustão do tabaco e outras substâncias químicas e os níveis de nicotina podem ser escolhidos pelo consumidor, podendo, inclusive, chegar a zero.

Ainda assim, especialistas mantêm ressalvas sobre os supostos benefícios dos cigarros eletrônicos. "Esse produto não tem controle de qualidade. Não sabemos exatamente o que ele contém, quais são seus componentes", explica o médico pneumologista e coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Luiz Carlos Correa da Silva.

A falta de estudos sobre o assunto fez com que vários países, incluindo o Brasil, proibissem a comercialização do produto. Apesar disso, a utilização dos cigarros eletrônicos não para de crescer no País graças ao comércio on-line e à possibilidade de compra no exterior. "Não há estudos que comprovem que os cigarros eletrônicos não causam nenhum dano. Há apenas alguns registros com dezenas ou centenas de casos, mas isso não tem expressão científica", explica Silva.

Segundo o médico, o cigarro eletrônico surgiu na China de forma quase artesanal. Hoje os principais fabricantes estão na própria China e nos Estados Unidos. O produto é popular entre quem quer parar de fumar, mas conforme o pneumologista não há garantias sobre a eficácia do método.

"O que indicamos hoje (para quem quer parar de fumar) são os produtos já testados como adesivos e gomas de mascar. Além disso, os cigarros eletrônicos mantêm a pessoa dependente da nicotina", diz o pneumologista. Outra preocupação da classe médica é que a "nova moda" incentive os jovens a começar a fumar.

Segundo Silva, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia deve entrar com um pedido para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) controle com mais rigor o uso dos cigarros eletrônicos e dos narguilés em lugares públicos. Por não emitirem fumaça, mas sim vapor, muitas pessoas têm usado o produto em locais proibidos pela lei antifumo.

"Queremos que seja proibido os cigarros eletrônicos em locais fechados. Não é porque ele não tem cheiro que não existe a liberação de produtos voláteis. A aceitação desse tipo de cigarro em lugares fechados afrouxa muito a regulamentação. Até termos provas de que ele não faz mal é preciso ter muita cautela", afirma o pneumologista.

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