Conselhos de odontologia de todo o País estão alertando para o uso indevido de aparelhos ortodônticos. A nova moda entre os adolescentes é usar aparelhos fixos com borrachinhas coloridas, mas muitos jovens estão aderindo ao produto sem necessidade. O que eles não sabem é que o risco de usar um aparelho sem acompanhamento do ortodontista é muito alto e que estar na moda pode lhes custar a saúde bucal e provocar a perda de dentes.

As irregularidades deste modismo começam na comercialização dos materiais usados para montar os aparelhos. Em várias cidades brasileiras os próprios adolescentes adquirem estes produtos em camelôs e fazem a própria instalação dos bráquetes (estrutura metálica que deve ser aderida ao dente)e a colocação dos fios e borrachinhas. Aguinaldo Farias, membro da diretoria do Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), explica que os materiais odontológicos devem ser comercializados somente por empresas especializadas e devem ser fornecidos apenas a cirurgiões dentistas.

"Vamos aumentar a fiscalização em cima das dentais para que estas lojas tenham mais responsabilidade, mas não temos poder de fiscalizar os camelôs", salienta. Conforme Farias, o conselho tem a sua jurisdição sobre os profissionais da categoria. "A venda destes produtos por camelôs é uma questão da polícia e da vigilância sanitária", destaca.

Além do risco de contaminação, já que fora das dentais não há garantia de que os produtos sejam esterilizados, a colocação inadequada do próprio aparelho é muito arriscada. O que encanta os jovens são os fios e as borrachinhas, que são trocadas conforme a cor das roupas que usam. Farias acrescenta que as pessoas que desejam comprar fios de arame, borrachinhas e fazer a manutenção do próprio aparelho devem se responsabilizar pelos danos que podem ser causados à saúde bucal. "A pessoa precisa estar ciente de que há possibilidade de perder os dentes", garante Farias.

Claudenir Rossato, professor da disciplina de ortodontia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que após os cinco anos de faculdade integral, um cirurgião dentista precisa fazer mais três anos de especialização para adquirir o título de ortodontista. O conhecimento especializado é fundamental para a colocação adequada de um aparelho fixo ou móvel. "A indicação de um tratamento ortodôntico deve ser feita por um profissional especialista na área. Sem o acompanhamento do ortodontista, a saúde da gengiva, dentes e ossos da boca pode ficar comprometida", alerta. De acordo com Rossato, os aparelhos fixos são indicados para pessoas que possuem espaço entre os dentes ou que precisam alinhar ou nivelar os dentes.

Quando um aparelho ortodôntico fixo é colocado, o cirurgião dentista utiliza fios e borrachinhas para aplicar forças em vários sentidos, aos poucos os dentes vão se movimentando e o resultado desejado é alcançado. "A utilização destas forças de maneira inadequada pode causar danos irreversíveis. A pessoa que não tem especialização na área não sabe quantificar e direcionar a força, ela pode movimentar o dente para fora do osso e esta perda não pode mais ser recuperada pelo organismo", destaca o ortodontista.

Além de borrachinhas e fios coloridos, os jovens usam supercola para unir os bráquetes aos dentes. Rossato chama atenção para os riscos que este procedimento pode trazer. "Existe um produto adequado para fazer a adesão ao dente. A supercola pode destruir o esmalte natural e uma vez perdido ele não pode ser reposto. Sabemos que a utilização deste produto pode até mesmo comprometer a longevidade do dente", afirma. O ortodontista reforça a importância do acompanhamento profissional para todas as pessoas que usam aparelhos fixos ou móveis.

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