Moda feita em casa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Rosângela Vale<br>Enviada Especial 
Dirigido por quem entende do assunto a jornalista Nereide Michel é uma das pioneiras na cobertura de moda no Brasil e o produtor Paulo Martins tem uma larga experiência na área o Curitiba Fashion Art chegou à quarta edição, semana passada, com uma missão e tanto: esboçar a identidade fashion paranaense e integrar os profissionais do Estado aos cenários de criação nacional e internacional. Nesta edição, 11 marcas contribuíram para a evolução de tal projeto, duas delas londrinenses.
Com o mesmo foco moda jovem mas linguagens diferentes, Pura Mania e Ex-Madame tiveram bons desempenhos nas performances apresentadas na Capital. Enquanto a grife do estilista Ronaldo Silvestre conquistou a simpatia da imprensa especializada com o seu estilo conceitual, o jeanswear do empresário Cheble Nabhan Filho levantou literalmente o público ao fazer do alto-astral o fio condutor do desfile.
Ronaldo aprimorou a coleção mostrada no Rio Moda Hype, em julho, durante a temporada de lançamentos carioca. De um conto de seu conterrâneo Carlos Drummond de Andrade, o estilista trouxe a referência para o verão da marca. Numa atmosfera lúdica, formas arredondadas e volumosas, lembrando as orelhas dos elefantes, foram trabalhadas em tecidos naturais, com tratamentos encerados e resinados.
Corseletes com fitas de cetim, vestidões com perfume vitoriano e saias amplas dividiram a passarela com versões mais comerciais, de silhueta mais sequinha, como a bermuda rosa de barra arredondada usada com top bordado. Outra boa nova foi a linha masculina, básica com toques de modernidade: destaque para as camisas texturizadas e o jeans justinho com zíper lateral.
Já a Pura Mania embarcou em uma viagem pós-ficção para contar a história de seu verão 2005. Imaginou como seria a vida de Leléu e Lisbela (personagens do filme ''Lisbela e o Prisioneiro'', dirigido por Guel Arraes) depois do happy end. E realizou o sonho da mocinha, levando o casal para o Rio de Janeiro. Assim, personagens típicos da Cidade Maravilhosa, como o turista, o boêmio, o torcedor do Flamengo e, é claro, a garota de Ipanema, foram interpretados pela grife.
A sensualidade explícita e o jeito irreverente do carioca ganharam tons de verde, vermelho, rosa, branco, turquesa, amarelo e preto. Os shorts têm detalhes de paetês e a Capri traz estampas de folhagens. Vestidos curtinhos de malha e batas de babados ou do tipo frente-única são fortes apostas. No masculino, a marca apostou na imbatível dupla jeans/camiseta. Um figurino que deverá cair no gosto de Lisbelas e Leléus pelo verão afora.n
* A jornalista Rosângela Vale viajou a convite da organização do evento.


