Moda feita à mão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Rosângela Vale<br> Texto e Produção 
Mais do que básicos ou arrojados, os anos 90 têm sido, acima de tudo, nostálgicos. Ao resgatar antigos sucessos, transformando-os em hits das últimas temporadas, a moda faz uma retrospectiva de seus melhores momentos. Depois dos chemises, das cigarretes, dos vestidinhos e óculos a la Jaqueline Onassis, agora é a vez do crochê invadir as passarelas e conquistar (de novo) as mulheres.
Os biquínis, relançados neste verão por algumas grifes, foram os pioneiros desse revival. Disputando mercado com modelos de laterais largas e sutiãs grandes, bem ao estilo anos 60, as minúsculas tangas em crochê saíram na frente. O Rio de Janeiro - que costuma influenciar a moda praia em todo o País - é o campeão de vendas. De cada 10 peças comercializadas no Shopping Rio Sul, em Botafogo, zona sul da cidade, oito são de crochê.
A mania não ficou restrita às areias. Saias, tops e blusinhas em crochê também aparecem nas noites do verão carioca como as melhores opções para driblar o calor. A Blue Man foi uma das marcas que mais investiram na tendência, mas apostou sobretudo em biquínis. Quem deseja peças diferenciadas, não tem outra opção senão mandar fazer sob medida.
O modismo já está fazendo muita gente tirar a agulha do baú. Em Londrina, algumas crocheteiras de mão-cheia começam a sair da toca, expondo seus trabalhos nas feiras da Cidade, como as que o Armazém da Moda promove todos os domingos de manhã. A maioria dessas mulheres viveu a juventude na década de 60, época em que o crochê estava no auge da moda, e criavam os próprios modelitos.
Faço crochê desde mocinha. Aprendi com a minha mãe, diz Elair Gonçalves Beletti, 55 anos, que se lembra de ter usado vestidos, blusas e biquínis feitos por ela. Após o casamento, passou a fazer roupinhas de bebê para as filhas, mas depois que elas cresceram deixou as agulhas de lado, e só recomeçou este ano. Minha menina mais nova pediu que eu fizesse um biquíni. As amigas dela viram, gostaram e começaram a encomendar, conta. Atualmente, recebe cerca de 20 pedidos por semana.
Além de biquínis, que vende a preços que variam de R$ 25,00 a R$ 35,00, Elair faz minissaias (R$ 30,00), tops (R$ 15,00), chinelos (R$ 10,00), vestidos (R$ 80,00) e tiaras (R$ 3,50), usando linhas específicas para crochê e cordão de tapete. Ao que tudo indica, a moda caiu no gosto das mulheres em geral. Tenho encomendas de mocinhas e de senhoras, observa.
A fotógrafa Maria Cristina de Carvalho, 41 anos, vira crocheteira nas horas vagas, e aproveita a habilidade de artesã para melhorar o orçamento, vendendo suas peças nas feiras da Lua e do Armazém da Moda. As blusinhas curtas e as bolsas feitas com fio de barbante são as mais procuradas pelas jovens. As mulheres mais velhas gostam de blusas soltinhas, com mangas 3/4, diz. Maria Cristina prefere trabalhar com linha que contém fios de seda. É bem mais resistente. As peças podem até ser lavadas na máquina que não deformam, explica.
Segundo ela, as bolsas em formato quadrado e retangular têm feito muito sucesso entre as adolescentes. Os preços variam de R$ 12,00 a R$ 16,00, e os modelos são variados: tipo saco e mochilas. Vendo de 10 a 12 bolsas por dia de feira, contabiliza.
Serviço:
Feirinha do Armazém da Moda
Todos os domingos, das 9 às 13 horas no estacionamento do shopping. Rua Tiradentes, 1.411.
Feira da Lua
A partir das 18 horas. Às quartas-feiras, no estacionamento do Com-Tour. Às sextas-feiras, ao lado do Ginásio de Esportes Moringão.


