Mais do que básicos ou arrojados, os anos 90 têm sido, acima de tudo, nostálgicos. Ao resgatar antigos sucessos, transformando-os em hits das últimas temporadas, a moda faz uma retrospectiva de seus melhores momentos. Depois dos chemises, das cigarretes, dos vestidinhos e óculos ‘‘a la Jaqueline Onassis’’, agora é a vez do crochê invadir as passarelas e conquistar (de novo) as mulheres.
Os biquínis, relançados neste verão por algumas grifes, foram os pioneiros desse revival. Disputando mercado com modelos de laterais largas e sutiãs grandes, bem ao estilo anos 60, as minúsculas tangas em crochê saíram na frente. O Rio de Janeiro - que costuma influenciar a moda praia em todo o País - é o campeão de vendas. De cada 10 peças comercializadas no Shopping Rio Sul, em Botafogo, zona sul da cidade, oito são de crochê.
A mania não ficou restrita às areias. Saias, tops e blusinhas em crochê também aparecem nas noites do verão carioca como as melhores opções para driblar o calor. A Blue Man foi uma das marcas que mais investiram na tendência, mas apostou sobretudo em biquínis. Quem deseja peças diferenciadas, não tem outra opção senão mandar fazer sob medida.
O modismo já está fazendo muita gente tirar a agulha do baú. Em Londrina, algumas ‘‘crocheteiras’’ de mão-cheia começam a sair da toca, expondo seus trabalhos nas feiras da Cidade, como as que o Armazém da Moda promove todos os domingos de manhã. A maioria dessas mulheres viveu a juventude na década de 60, época em que o crochê estava no auge da moda, e criavam os próprios modelitos.
‘‘Faço crochê desde mocinha. Aprendi com a minha mãe’’, diz Elair Gonçalves Beletti, 55 anos, que se lembra de ter usado vestidos, blusas e biquínis feitos por ela. Após o casamento, passou a fazer roupinhas de bebê para as filhas, mas depois que elas cresceram deixou as agulhas de lado, e só recomeçou este ano. ‘‘Minha menina mais nova pediu que eu fizesse um biquíni. As amigas dela viram, gostaram e começaram a encomendar’’, conta. Atualmente, recebe cerca de 20 pedidos por semana.
Além de biquínis, que vende a preços que variam de R$ 25,00 a R$ 35,00, Elair faz minissaias (R$ 30,00), tops (R$ 15,00), chinelos (R$ 10,00), vestidos (R$ 80,00) e tiaras (R$ 3,50), usando linhas específicas para crochê e cordão de tapete. Ao que tudo indica, a moda caiu no gosto das mulheres em geral. ‘‘Tenho encomendas de mocinhas e de senhoras’’, observa.
A fotógrafa Maria Cristina de Carvalho, 41 anos, vira ‘‘crocheteira’’ nas horas vagas, e aproveita a habilidade de artesã para melhorar o orçamento, vendendo suas peças nas feiras da Lua e do Armazém da Moda. ‘‘As blusinhas curtas e as bolsas feitas com fio de barbante são as mais procuradas pelas jovens. As mulheres mais velhas gostam de blusas soltinhas, com mangas 3/4’’, diz. Maria Cristina prefere trabalhar com linha que contém fios de seda. ‘‘É bem mais resistente. As peças podem até ser lavadas na máquina que não deformam’’, explica.
Segundo ela, as bolsas em formato quadrado e retangular têm feito muito sucesso entre as adolescentes. Os preços variam de R$ 12,00 a R$ 16,00, e os modelos são variados: tipo saco e mochilas. ‘‘Vendo de 10 a 12 bolsas por dia de feira’’, contabiliza.

Serviço:

Feirinha do Armazém da Moda
Todos os domingos, das 9 às 13 horas no estacionamento do shopping. Rua Tiradentes, 1.411.
Feira da Lua
A partir das 18 horas. Às quartas-feiras, no estacionamento do Com-Tour. Às sextas-feiras, ao lado do Ginásio de Esportes Moringão.

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