Moda e história
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Karla Matida Enviada Especial 
No ano em que completa 40 anos, a Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit), já em sua 47ª edição, coloca em pauta o passado, o presente e o futuro da moda, apresentando desfiles, exposições e convidados internacionais que movimentaram os 35 mil metros quadrados do Anhembi, em São Paulo.
Nestas quatro décadas, a Fenit acabou consolidando a proposta inicial de seu criador, o empresário Caio de Alcantara Machado, que percebeu nas feiras e exposições comerciais uma oportunidade de gerar novos negócios e atrair clientes com as feiras e exposições comerciais. Da primeira edição, que aconteceu no Pavilhão Internacional da Bienal, no Parque do Ibirapuera em São Paulo, participaram 97 expositores. Número mais que expressivo para o ano de 1958, quando o País estava a caminho da industrialização, inclusive no setor de moda. Até então, a moda e boa parte da matéria-prima eram trazidas do exterior.
Hoje, a Feira conta com mais de 800 expositores, e também engloba a Feira Internacional de Tecelagem (Fenatec), que surgiu na cola do sucesso da Fenit há 20 anos e já está na 35ª edição. No ano passado foram comercializados cerca de US$ 5 bilhões, em 98, o valor dos negócios passou para US$ 5,2 bilhões. O número de expositores estrangeiros também está crescendo a cada ano, com a participação de nomes como a União dos Fabricantes Franceses, Fiera di Milano e Intersof. Ainda nos destaques internacionais, o Pavilhão de Portugal, que esteve presente pela segunda vez na Fenit.
Ao longo dos anos, o evento se mostrou realmente um bom lugar para negócios, como queria seu criador, mas também se consolidou como grande incentivador da moda brasileira. Pelas passarelas da Feira já desfilaram criações de Emilio Pucci, Valentino, Paco Rabanne, Jean Paul Gaultier e Vivienne Westwood. Entre os brasileiros, destaque para Denner, que, com Guilherme Guimarães e Clodovil, formava o trio dos estilistas mais famosos da época, criando modelos em tecidos estampados com a arte de Volpi, Manabu Mabe e Aldemir Martins.
Se na primeira edição a Fenit privilegiava o linho, a lona e a seda nacionais, no ano seguinte foi lançado o fio helanca, que marcou o setor. E na sétima edição, em 64, o Secretariado Nacional da Lã apresentou o
slogan Nada substitui a lã, em protesto contra a febre do tecido sintético. Uma ovelha foi levada até à Feira para mostrar todo o processo, da tosa ao produto final. Mas em 66, os fios sintéticos voltaram a liderar, resultando em 80% do mercado - os fios naturais, lã, algodão e linho tiveram queda de 60%.
Em 1971, a Fenit muda-se para o Pavilhão de Exposições do Anhembi, limitando o ingresso apenas para fabricantes, confeccionistas, compradores e técnicos do setor. Dois anos depois, em 73, acontece uma das grandes mudanças: a moda masculina passa a ocupar quase 50% da feira, ressaltando o interesse e a participação dos homens.
Em dois momentos, o evento passou a ter duas edições anuais. Entre 74 e 75 e de 86 a 89, a Feira apresentou em janeiro as coleções outono-inverno e em junho, as de primavera-verão.
A maior edição da Fenit aconteceu em junho de 90, quando a Feira voltou a ser anual, justamente na época da inflação zero da gestão Collor. Foram 900 expositores que apresentaram produtos para 120 mil compradores visitantes. Foi o ano em que a estilista inglesa Vivienne Westwood foi a atração internacional. E de olho nos brasileiros, a Fenit de 96 deu espaço para novos criadores vindos do mercado alternativo e criou o I Salão Mundo Mix. Era o início da retomada do glamour fashion da feira, que durante alguns anos foi apenas como um palco de negócios.
Ao longo dos 40 anos, a Fenit se consolidou como o maior evento da América Latina, atraindo visitantes de todo País e também estrangeiros em busca de novidades.


