Mitos e Verdades sobre a doença
Mito: A alergia é contagiosa.
Verdade: Não. As pessoas alérgicas, principalmente as que têm asma, rinite e dermatite atópica, possuem uma condição genética que determina que reajam de forma exagerada a determinados estímulos, causando os sintomas. Assim, as crises aparecem como resultado da interação entre essa predisposição genética e a atuação dos chamados desencadeantes – poeira, ácaros, mofo, odores fortes.
Mito: Vou ao médico para fazer uns testes e ver o que me causa alergia.
Verdade: O diagnóstico da alergia não se resume à realização de testes alérgicos, que devem ser feitos caso haja uma suspeita real de alergia a determinada substância. Somente após história e exames clínicos detalhados é que o médico poderá decidir se há ou não necessidade de tal procedimento e quais as substâncias (alérgenos) a serem testados.
Mito: Todas as doenças alérgicas não têm cura.
Verdade: Embora a alergia seja uma condição herdada geneticamente e, na maioria das vezes definitiva, existem doenças alérgicas em que pode ocorrer a resolução completa do quadro, como acontece com a alergia ao leite de vaca que se inicia na lactância (bebê) e tende a desaparecer por volta dos 2 a 4 anos de idade.
Mito: Não adianta tratar alergia, afinal ela não tem cura.
Verdade: Embora não se possa interferir nas alterações genéticas que os pacientes alérgicos apresentam, os tratamentos disponíveis englobam medicamentos bastante específicos, com efeitos colaterais mínimos e que melhoram muito a qualidade de vida do paciente garantindo-lhe, na maior parte dos casos, uma vida normal.
Mito: Alergia é doença de rico.
Verdade: As doenças alérgicas são condições herdadas geneticamente podendo, portanto, ocorrer em indivíduos de todos os níveis sócio-econômicos. É importante ressaltar as alergias podem ser até mais graves, nos pacientes mais pobres, pela dificuldade na aquisição de medicamentos e de realização de seguimento médico adequado.
Mito: Ar condicionado faz mal para os alérgicos.
Verdade: Os alérgicos podem permanecer em ambientes com ar condicionado. O importante é que os aparelhos tenham boa manutenção e limpeza para evitar o acúmulo de poeira e mofo.
Mito: O paciente com alergia respiratória só deverá tomar banho pela manhã.
Verdade: Não há nenhum embasamento científico em relação a horários de banho para o paciente que apresente alergia respiratória.
Mito: Praia é prejudicial à criança alérgica.
Verdade: Ir à praia é uma atividade ao ar livre das mais saudáveis e, como tal, deve ser estimulada no paciente alérgico.
Mito: Natação cura alergia.
Verdade: A natação é um excelente exercício físico e a sua prática traz benefícios para os pacientes asmáticos. Entretanto, não cura a asma e em algumas condições alérgicas pode agravar o quadro, como por exemplo nas sinusites.
Mito: O alérgico, principalmente o asmático, não pode praticar esportes.
Verdade: Os esportes de maneira geral, em especial os aeróbicos, estão liberados para os alérgicos. Se uma pessoa tem crises praticando exercícios físicos, deve procurar uma atividade física a qual se adapte ou ainda, no caso da asma, utilizar uma medicação, previamente ao exercício, para que consiga desempenhar o esforço adequadamente.
Mito: Travesseiros e colchões antialérgicos não necessitam de forração plástica.
Verdade: Todos os tipos de travesseiros e colchões devem ser revestidos com material impermeável, para evitar a proliferação de ácaros e fungos no seu interior. Esta é uma medida recomendável para pacientes com alergia respiratória.
Mito: As vacinas para a alergia engordam.
Verdade: As vacinas para tratamento de alergia respiratória não contém nenhum elemento que cause ganho de peso. Assim, caso o paciente esteja engordando, durante o uso das vacinas, é importante que se pesquisem outros motivos que justifiquem esse aumento de peso.
Mito: Asma começa na infância e se cura na adolescência.
Verdade: Embora uma parcela das crianças que apresenta ‘‘chiado’’ nos primeiros anos de vida evolua com desaparecimento dos sintomas, isto não é verdade para todos os pacientes. A maioria das crianças que desenvolve asma após os 4 anos de idade permanece com a doença na adolescência.
Mito: Asmático deve tomar banho frio.
Verdade: Não existem estudos científicos que comprovem isso. O asmático pode tomar banho morno, sem qualquer prejuízo à sua saúde.
Mito: A asma é emocional (psicológica)
Verdade: A predisposição para o desenvolvimento de asma é genética e influenciada pela exposição a fatores ambientais, tais como os alérgenos, os poluentes e a fumaça de tabaco. Os aspectos emocionais podem agravar o curso da doença.
Mito: As ‘‘bombinhas’’ para tratar a asma fazem mal ao coração, podem viciar e até mesmo matar.
Verdade: Não. A asma é uma doença das vias respiratórias e, portanto, o tratamento inalatório é o ideal, atuando diretamente sobre as partes afetadas pela doença (pulmões). Além disso, seu efeito é mais rápido, as doses necessárias para o controle dos sintomas são menores e os efeitos colaterais são mais discretos, quando comparados aos dos medicamentos usados por via oral. Assim, a ‘‘bombinha’’ é a maneira mais eficaz e segura de administração dos medicamentos para a asma. O fundamental é que sejam sempre utilizadas sob orientação médica, de forma correta, evitando os abusos.
Mito: A asma é mais grave que a bronquite asmática e diferente da bronquite alérgica.
Verdade: Embora a asma não deixe de ser uma inflamação brônquica e, portanto, uma bronquite, a denominação correta para os episódios recorrentes de chiado que melhoram após a utilização de broncodilatador é asma.
Mito: As crises de asma e/ou rinite só são provocadas por alérgenos inalados (poeira, ácaros, mofo, pêlos, penas etc.) irritantes (fumaça de tabaco, odores fortes etc.)
Verdade: Sem dúvida, os alérgenos inalados, os ácaros da poeira e os irritantes, são os fatores que mais desencadeiam crises de asma e rinite. No entanto, alguns pacientes podem ter suas crises desencadeadas e ou agravadas por: infecções (gripes, resfriados, sinusites); alimentos (leite, no lactente); aditivos alimentares (sulfitos); hormônios (pílulas anticoncepcionais); medicamentos (aspirina e outros antiinflamatórios não hormonais); refluxo gastro-esofágico; exercício e fatores emocionais.
Mito: Uma mulher asmática deve evitar engravidar.
Verdade: O fato de uma mulher ser asmática não é empecilho para que fique grávida. Sabe-se que algumas mulheres, ao engravidarem, não têm o curso da doença alterado pela gestação, mantendo o padrão que sempre tiveram, antes do período de gestação. Outras pioram na gravidez, passando a ter mais crises do que antes de engravidarem. Não se pode prever, com exatidão, quem irá piorar, melhorar ou manter-se inalterado, mas isso não pode ser motivo para se evitar uma gravidez. A asma, quando bem controlada, irá evoluir com tranquilidade, durante uma gestação.
Mito: Uma mulher grávida não pode usar remédios para tratar sua asma e ou rinite.
Verdade: O receio do uso de medicamentos pela gestante asmática e ou portadora de rinite não deve existir pois, em alguns casos, eles serão essenciais para permitir que a mãe respire melhor e forneça oxigênio para o feto. A falta de ar materno pode ser mais prejudicial ao bebê do que o efeito dos medicamentos usados para evitar ou controlar uma crise de asma e ou de rinite.
Mito: Eu só fumo na sala ou no banheiro, longe de meu filho que tem alergia.
Verdade: O cigarro traz uma série de malefícios ao fumantes, que se estendem aos fumantes passivos. A fumaça do cigarro se espalha rapidamente por todos os cômodos do domicílio. Assim, é inconcebível a presença de fumantes, na mesma casa aonde habita uma pessoa com alergia respiratória.
Mito: Gelados e sorvetes desencadeiam crises de alergia respiratória.
Verdade: O que desencadeia alergia respiratória são, principalmente, as substâncias inaláveis, tais como a poeira domiciliar, os ácaros da poeira, os pêlos de animais, etc.
Mito: Chicletes, balas e bombons desencadeiam crises de rinite alérgica ou asma.
Verdade: Os corantes destas substâncias podem desencadear episódios de urticária.
Mito: Quem tem asma ou alergia a camarão, não pode fazer exame com contraste iodado.
Verdade: Somente aqueles pacientes com sensibilidade a substâncias à base de iodo não deverão se submeter a este tipo de exame (se for absolutamente necessário, fazer preparo prévio e acompanhar o paciente, durante o exame).
Mito: A asma não é uma doença séria.
Verdade: Se assim fosse, a asma não seria uma doença as vezes mortal; se assim fosse não precisaríamos de oxigênio para respirar.
Mito: Todos os quadros de urticária são devidos aos alimentos (principalmente ao chocolate e aos frutos do mar).
Verdade: Ao contrário da crença popular de que a urticária é sempre provocada por alimentos, na verdade a causa mais comum são medicamentos, largamente utilizados sem prescrição médica, como os antiinflamatórios, analgésicos, antiespasmódicos e antitérmicos.
Mito: Eu tenho alergia a antiinflamatório, mas não faz mal. Eu posso tomá-lo e em seguida tomo um antialérgico para cortar o efeito.
Verdade: As alergias a medicamentos podem ocasionar reações graves. O paciente que, numa primeira exposição a determinado medicamento, apresentou uma reação leve poderá, em exposições subsequentes, desenvolver quadros bem mais graves (inclusive choque anafilático), que nem sempre são controlados unicamente com uso de antialérgicos.
Mito: As drogas nasais descongestionantes são excelentes para desentupir as narinas.
Verdade: Os descongestionantes nasais só devem ser usados por curto período, pois provocam inúmeros efeitos colaterais e dependência física, além de alterar a mucosa nasal.
Mito: Não se deve usar remédios no nariz.
Verdade: Os medicamentos que não devem se usados no nariz, por tempo prolongado (superior a 5 dias) são os que contém vasoconstrictores, devido aos efeitos colaterais que podem ocasionar, inclusive com piora da obstrução nasal. Porém os anti-histamínicos e os corticóides, para uso tópico nasal, fazem parte do tratamento da rinite alérgica.
Mito: Criar um tipo de ave chamada ‘‘Canção’’ ou ‘‘Tartaruga’’ cura a asma
Verdade: Não existe nenhum embasamento científico em relação a esta afirmação.
Mito: A asma é curada com cápsulas de copaíba.
Verdade: A copaíba é um óleo vegetal que não é absorvido nos intestinos; o que se toma sai nas fezes.
Mito: A criança asmática deve comer fígado de galinha e ser criada junto a um chihuahua.
Verdade: Nada há que comprove qualquer relação entre o fígado de galinha e a melhora da asma; o chihuahua nasce com tendência para ter problemas respiratórios, mas há grande distância entre estes e a asma da criança que porventura conviva com este cãozinho.
Mito: A cortisona (o corticóide) faz mal.
Verdade: A cortisona é o medicamento que melhor atua nos processos inflamatórios. Assim, é imperioso seu uso nas crises mais fortes e graves de asma. Atualmente, dispõem-se das ‘‘bombinhas de cortisona’’ que são potentes antiinflamatórios inalados, bastante seguros para o tratamento preventivo da asma e da rinite alérgica. É obvio que, a exemplo de qualquer medicamento, só devem ser utilizados sob orientação médica.
Fonte: Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI)

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