Sangramento irregular, fluxo menstrual excessivo e cólicas intensas podem ser sintomas de uma doença bastante comum na fase reprodutiva feminina. Os miomas são tumores benignos (não cancerosos), de origem genética, que surgem na musculatura do útero e são causa de aborto e infertilidade.
De acordo com o médico ginecologista Dalmo Borges Ramos Jr., mulheres das raças negra e amarela têm maior propensão ao problema. Ele explica que trata-se de um tumor cujo desenvolvimento depende da produção hormonal, por isso, pode atingir todas as mulheres em idade fértil, sobretudo aquelas que têm casos de miomas na família. A manifestação mais frequente acontece na faixa dos 30 anos. Os miomas são pequenos no início e crescem lentamente no decorrer dos anos. Na menopausa, quando os níveis de estrógeno diminuem, tendem a regredir espontaneamente.
Os sintomas mais comuns são dores abdominais e sangramento excessivo dentro e fora do período menstrual, inclusive nas relações sexuais e durante a prática de atividade física. A situação pode ainda evoluir para um quadro de anemia. ''É uma doença que tem um caráter social muito grande, pois limita a vida da mulher'', observa o médico, informando que o mioma pode atingir grandes proporções, provocando inchaço do abdome. ''Já tivemos casos de pacientes com tumores de até um quilo'', afirma.
Segundo Dalmo, dependendo da posição e da quantidade de miomas no útero, a fertilidade fica comprometida. ''Se a mulher tiver miomatose (vários miomas) não vai conseguir engravidar. Se forem apenas alguns, dependendo da posição em que estiverem no útero, podem ou não comprometer a gravidez'', explica. Os tratamentos são variados. Em pacientes jovens, desejosas de ter filhos e com miomas de volume pequeno (até 6 cm), é feito apenas acompanhamento da evolução do tumor, com ultra-som a cada seis meses.''Hoje, já existem medicamentos capazes de fazer com que os tumores regridam, mas apenas durante o período em que estão sendo utilizados. Parou de tomar, o tumor volta a crescer. Por isso, é um tratamento paliativo'', informa o médico.
Se o tumor for suficientemente grande para causar sintomas, a intervenção cirúrgica é necessária. A retirada dos miomas (miomectomia) pode ser feita através de videolaparoscopia, cirurgia minimamente invasiva, com pequenos cortes no abdome e anestesia geral. O procedimento só não é indicado para miomas muito grandes (maiores que 15 cm), casos em que são realizadas cirurgias convencionais.
Outro tipo de intervenção cirúrgica é a histerectomia (retirada do útero), último recurso terapêutico, indicada para casos em que a paciente já teve filhos e apresenta um útero de dimensões muito grandes. A boa notícia é que os procedimentos mais modernos dispensam cortes no abdome e são feitos via vaginal. ''Cerca de 90% das cirurgias realizadas na clínica são feitas por esse método'', diz Dalmo.n

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