É quase verão. Hora de dourar o corpo no maiô novo e de relaxar na praia ou piscina. Mas cuidado! Um grupo de inimigos invisíveis está apenas esperando que você se distraia para atacar. São as micoses que podem provocar situações constrangedoras. Além de manchas feias deixadas na pele, alguns tipos podem até causar lesões pelo corpo que exigem um imediato tratamento médico. Como mais vale prevenir do que remediar é hora de tomar precauções para que as micoses não estraguem seu verão.
Segundo os dermatologistas, as mais comuns nessa época são a dermatofitose e a pitiríase versicolor. A primeira é aquela ‘‘coceirinha’’ que deixa rodinhas avermelhadas conhecidas como impingem. Elas são transmissíveis pelas fezes dos animais, na areia, na terra e principalmente na água dos lavapés das piscinas. A dermatofitose pode atacar também as unhas, fazendo com que elas se esfarelem e fiquem com um péssimo aspecto. São as onicomicoses que devoram as unhas e se proliferam rapidamente. Seu tratamento é mais demorado. Tem gente que fica tão apavorada com o ataque às unhas que prefere mandar arrancá-las através de uma cirurgia. Mas, segundo recentes pesquisas da dermatologia, o tratamento é muito agressivo e traumatizante e não garante a cura da matriz da unha.
Pintas desbotadas A pitiríase versicolor é a conhecida ‘‘micose de verão’’ que se manifesta em forma de manchinhas semelhantes a pintas desbotadas e que geralmente se instalam nas costas, braços e pescoço. Ao contrário do que se pensa, estas não são contagiosas. Estes fungos convivem pacificamente com o organismo até que uma queda na resistência da pessoa anule as defesas e abra as portas para que as manchinhas apareçam.
A médica dermatologista Sineida Berbert Ferreira, de Maringá, afirma que existem hoje no mercado produtos que podem resolver em 15 dias um caso de pitiríase versicolor. Como o fungo geralmente ataca o couro cabeludo, com um xampu especial, que não deixa cheiro nem manchas, o paciente recupera a saúde da pele após algumas aplicações’’, revela a médica.
As micoses acontecem com mais frequência no verão porque a pele fica mais úmida e oleosa, criando ambiente propício para o desenvolvimento de fungos. Nos casos de pitiríase, as manchinhas acontecem porque onde existe o fungo a pele não bronzeia. Segundo a dermatologista Sineida Ferreira, este tipo de problema é mais difícil de prevenir porque acontece quando há um desequilíbrio orgânico. ‘‘Os fatores de baixa resistência orgânica podem ser hormonais e até emocionais, alterando a imunidade do indivíduo’’, alerta.
Locais infectados Já nos casos de dermatofitose deve-se ficar atento evitando pisar em locais sujos como areia infectada por fezes, terra, e observar se os lavapés das piscinas estão sendo limpos frequentemente com hipoclorito de sódio. ‘‘É bom procurar um especialista logo que ocorram as primeiras erupções na pele ou coceiras desagradáveis, principalmente nas dobras das pernas, virilha e debaixo das mamas e em especial entre os dedos’’ aconselha a dermatologista. Um outro cuidado é fundamental: manter a pele bem seca nessas regiões após o banho. ‘‘A água do mar e da piscina afina a pele e favorece o contágio’’, revela a médica.
Mas quem pensa que as pessoas de pele mais clara ou mais escura são mais propensas está enganado. Segundo a médica, a cor da pele não influencia em nada o contágio. ‘‘As pessoas mais atingidas são as que têm mais idade ou aquelas que trabalham com água, principalmente águas paradas e com produtos químicos’’, diz a dermatologista. ‘‘Quem vive de tênis ou de sapato o ano todo também é alvo de fungos e leveduras’’, diz ela. O ideal é usar sempre calçados ventilados e manter, sempre que possível, os pés e outras regiões suscetíveis livres de transpiração excessiva.
Até há uns dois anos um tratamento antimicose levava um tempo enorme para dar resultado. Segundo a dermatologista Sineida Ferreira, até uma onicomicose, aquela que devora as unhas dos pés, pode ser tratada apenas uma vez por semana, durante seis meses, somente com a aplicação de um esmalte especial para ser curada. ‘‘Os tratamentos eram caros e prolongados. Além da ingestão de comprimidos que complicavam o aparelho digestivo e proibiam a ingestão de bebidas alcoólicas, ainda era necessário utilizar o tratamento tópico por pelo menos um ano. Desanimados com os resultados, os pacientes acabavam abandonando o tratamento e ficando ainda mais longe da cura’’, lembra Sineida Ferreira.

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