Engana-se quem pensa que por ter chegado à casa dos 60 o sonho de aprender um ritmo novo ficou velho. Além de divertidas, as aulas de dança são consideradas um exercício poderoso e fazem bem para o corpo e a mente, melhorando a autoestima. Prova disso é o engenheiro civil Ivan Vicente, de 66 anos, que pratica dança de salão há mais de cinco anos.
"Comecei as aulas de dança por insistência da minha mulher, e tomei gosto. Já fazia academia e alongamento, mas a atividade da dança é muito mais prazerosa. Academia é chato. Dançar é um exercício divertido", ressalta. Fazendo dança de salão desde 2005, ele hoje sabe um pouco de vários ritmos: samba, forró, tango e bolero – este último, o preferido. "Saio de vez em quando para dançar, quando tem algum evento com baile e faço aulas duas vezes por semana, com duração de uma hora", conta.
Em relação ao corpo, Vicente conta que notou algumas melhoras, mas destaca que as principais aconteceram na mente. "Tenho mais concentração e menos estresse. Para a mente é espetacular porque você desliga dos problemas para prestar atenção na dança, na música, no ritmo", diz. Na ativa há 40 anos como engenheiro civil, ele ressalta que relaxa no período das aulas. "E também tem a questão da socialização, de conhecer novos grupos, da diversão. Já viajamos com o grupo, fomos para a Europa, fizemos um cruzeiro. Essa parte também é muito bacana", valoriza.
O geriatra Fábio Garani confirma que só há benefícios para quem faz aulas de dança regularmente. "Com o envelhecimento do corpo nós vamos ficando mais lentos, menos flexíveis. E a dança melhora os reflexos e a flexibilidade. A rigidez nas articulações também diminui, existe ganho de massa óssea, porque a dança é um exercício vigoroso, que melhora a função cardiopulmonar, o equilíbrio e a força muscular."
Ele ressalta, no entanto, que para conseguir todos os benefícios é necessário ter aula pelo menos três vezes por semana. "Não adianta ser igual aquele jogador de final de semana e só ir a um baile de vez em quando. A dança, para ser um exercício, precisa ser feita de forma regular e em ambiente adequado, livre de tabaco e álcool", reforça.
Além dos benefícios para o corpo, o mais importante, segundo o médico, são os benefícios sociais que a dança pode trazer. "Aquela mulher que era tímida, ficava só em casa, começa a se arrumar mais porque faz amigos, e pode até começar um relacionamento. A questão da socialização e do aumento da autoestima, para mim, é fundamental". Garani acrescenta que estudos comprovam que a socialização pode ajudar a melhorar e até curar doenças como a depressão.

Imagem ilustrativa da imagem Mexendo o corpo e a mente
| Foto: Marcos Zanutto
Yutaka Shiratoki, de 75 anos, e Akiko Shiratoki, de 74, são praticantes da dança circular, no Sesc: "Assim vivemos mais alegres"



Leia também:

- Juntos, no mesmo passo

mockup