Mario CesarPeter Salles Geib: ‘‘De manhã, chego ao banheiro tateando a parede’’A sonolência diurna, tão comum na adolescência, mereceu uma extensa pesquisa em São Paulo. O estudo revelou que garotos e garotas têm mais sono no início da manhã e precisam dormir mais horas que os adultos. A responsável pelo estudo, realizado numa escola da zona oeste de São Paulo, foi a professora de fisiologia da Unesp, Miriam Mendonça Morato de Andrade, que defendeu a tese ‘‘Padrões Temporais das Expressões da Sonolência em Adolescentes’’.
A professora afirma que se interessou pelo tema ‘‘ciclo vigília/sono na adolescência’’, porque essa faixa etária sofre profundas modificações hormonais. Na disciplina de fisiologia está inserida a cronobiologia, que estuda os ritmos biológicos como a temperatura, os hormônios e o sono. Esses movimentos se repetem em ciclos de 24 horas. ‘‘Os ritmos são importantes e criam uma história ao longo do desenvolvimento corporal. O nível desses ritmos é diferente nas faixas etárias’’, explica a pesquisadora.
Muitos pais acreditam que a sonolência diurna dos filhos seja apenas influência social. Afinal, se eles querem acordar tarde é porque vão dormir tarde. Esse período de ligação estreita com a cama se inicia por volta dos 12 anos e pode chegar até os 20 anos. Miriam descobriu que havia causas orgânicas na sonolência. ‘‘ À medida que o adolescente fica mais velho, a duração do sono diminui. Na fase de sonolência diurna, ele perde duas horas de sono todo dia’’, avalia.
Como consequências, a professora destaca o sono excessivo no início da manhã e a queda no nível de atenção, prejudicando o desempenho escolar. Nem todas as pessoas, no entanto, precisam dormir o mesmo número de horas, apenas a proporção nos adolescentes é maior.

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