Meu querido Papai Noel...
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Francelino França 
A Finlândia é um país europeu situado no Pólo Norte. No Mapa Mundi dá para ver que é um lugar bem pequeno, cortado pelo Círculo Polar Ártico. Por aquelas bandas faz muito frio. E é na Finlândia que fica Rovaniemi, capital da Lapônia, a terra do Papai Noel. As noites naquela região são mais longas e todas as casas têm uma chaminé fumegando.
Na Lapônia, o meio de transporte é o trenó, e o do Papai Noel é puxado por renas, animais muito resistentes para o transporte de cargas. Conta-se que Papai Noel mora numa região pouco habitada, quase não tem vizinhos e amigos por perto. Talvez, por isso, trabalhe tanto. Os finlandeses preferem morar no sul daquele país, onde as condições climáticas são melhores.
Crianças do mundo todo escrevem para a Lapônia, fazendo pedidos para o velho bonachão. Como o nome dele varia muito dependendo do lugar, ele também tem outro nome oficial: Santa Claus. Por isso, ao escrever para o bom velhinho é preciso colocar no envelope: Santa Claus, Artic Circle, SF 96930. Rovaniemi - Finlândia. Colocando este endereço é certeza que a cartinha chegará até ele. Há muito tempo, antes do tempo em que os avós de nossos avós fossem nascidos, milhares de crianças de todo o mundo já escreviam para ele, pedindo os mais variados presentes.
No Brasil, a figura do Papai Noel desembarcou por volta dos anos 30. A cada ano sua imagem foi se solidificando, e o espírito natalino - traduzido por solidariedade - também. Apesar de o nosso verão ser tórrido, as roupas dele não foram adaptadas para o clima quente. Quando ele aparece por aqui, passa o maior calorão. Mas também, se ele mudar o figurino, quem vai reconhecê-lo?
Casa londrinense Este ano, o bom velhinho resolveu fixar moradia em Londrina. À beira do Lago Igapó, uma casa foi construída e ele chegou com toda pompa e circunstância, no dia 30 de novembro. O trenó ficou na Lapônia. Imagina-se que ele tenha vindo ao Brasil de avião. Na nova casa, ele chegou de jet-ski, recepcionado por milhares de pessoas e por uma orquestra. Duas mil lâmpadas iluminavam o local.
Diariamente ele recebe centenas de crianças. Para dar conta do recado, Papai Noel conta com a ajuda de duendes e da Mamãe Noel. Pacientemente, ele ouve os pedidos das crianças. De perto pode-se ver uma faixa de suor em sua testa, resultado da roupa quente. O momento de encontro com as crianças é simplesmente mágico. Algumas ficam nervosas, outras sorriem. Às vezes, elas não conseguem dizer nada. As menores sentam no colo do velhinho bonachão. Outras ainda dão um fraterno abraço. O encontro fica passeando na imaginação das crianças por um bom tempo.
Foi numa manhã ensolarada deste dezembro que a garota Juliana Armani Nascimento foi conhecer a famosa casa. Este é o décimo Natal de Juliana, portanto a figura do bom velhinho já lhe é familiar. Mas conhecê-lo ao vivo e a cores é outra coisa. Ela sabe que ele veio do Pólo Norte, um lugar onde faz muito frio. Segundo Juliana, por aquelas geleiras há uma fábrica em o próprio Papai Noel constrói os brinquedos. Ela faz questão de ressaltar que nesta época do ano a cidade fica muito bonita, mas que a importância do Natal se deve ao nascimento de Jesus.
Ao chegar perto do Papai Noel os olhinhos da menina brilharam e um sorriso se abriu. Depois de dizer qual o presente que deseja ganhar, ela ficou mais que satisfeita. Afinal, Juliana falou diretamente com o velhinho todo poderoso. Ela confia em sua memória, e que ele vai lembrar de todos os pedidos, inclusive da coleção da boneca Barbie que ela espera ansiosamente na noite do dia 24 de dezembro.
Na rápida visita à casa do Papai Noel, Rodrigo Monteiro, 8 anos, contou que há pouco tempo viu um garoto brincando na rua com um carrinho de controle remoto e não esqueceu mais. Ficou sonhando, sonhando em poder um dia ele mesmo pilotar um brinquedo igual. Agora, ao encontrar com o Papai Noel, e fazer a explicação detalhada do presente, ele espera que o sonho vire realidade. Mas para dar uma força para o bom velhinho, Rodrigo vai colocar bilhetes próximo à cama. De mãos dadas com a mãe, ele percorreu toda a casa, olhando e fixando na memória cada ambiente. Contente e risonho com a visita até ao local, ele até fez uma ameaça: caso não receba a visita do Papai Noel na noite do dia 24, Rodrigo não acreditará nele.
Outra criança que foi conferir de perto para ver se a famosa figura existe mesmo foi o garoto Airá Simões. Ele já passou dos 9 anos e está decidido: quer ser duende, aquele ajudante do Papai Noel que trabalha na fábrica de brinquedos e também auxilia na recepção das crianças que vem abraçar o bom velhinho. Airá espera, ainda neste Natal, uma chance de trabalhar para a felicidade de outras crianças. Para o garoto, lá na Lapônia existem muitas máquinas que ajudam o Papai Noel na fabricação dos brinquedos, pois sozinho ele não dá conta. O irmão dele, Aruan, 4 anos, se empolgou com a visita. Olhou bem nos olhos do velhinho, abraçou-o com toda sua força e fez um pedido em voz baixa sobre o que deseja ganhar. O abraço revelou a confiança e a certeza de que vai ter uma Noite Feliz.
Antes de conhecer o bom velhinho, Anna Claudia Dias Cerci, da cidade de Umuarama, fazia uma imagem de Papai Noel de meter medo. Anna Claudia achava que ele batia nas crianças, por isso o medo. Agora, aos 8 anos, sua opinião mudou. Tanto mudou que ela escreve cartas ao Papai Noel tratando-o de Meu querido. Nas cartas, Anna Claudia pediu uma boneca, aquela que vem com carrinho e mamadeira. Ela passou de ano, e a visita à casa do Papai Noel foi um prêmio. Acompanhada pela avó, ela chegou andando devagar, sorriu com os olhos, pegou nas mãos do Papai Noel e sentiu o aconchego. Só por isso voltou para Umuarama feliz, feliz.


