Mesmo que muitos neguem, todo pai sempre leva o sonho de ter um filho homem. Levar o garoto ao jogo de futebol, passar o nome da família para as próximas gerações, ensinar a fazer a barba, apresentar aos amigos, brincar de super- herói são algumas prerrogativas do mundo masculino que os homens imaginam quando um bebê está a caminho.
  Para a edição comemorativa do Dia dos Pais, a Folha da Sexta duas famílias formadas por gerações de homens. Nelas é possível perceber a forte ligação que existe entre eles, cheia de carinho e amizade. Prova que mesmo se mostrando durões, os brutos também amam.

  O empresário Adílio medeiros diz que sua casa é basicamente masculina. Isso porque ele e a esposa só tiveram filhos homens: os gêmeos Pedro e João e Gregório.
  ‘‘Aqui até o cachorro é macho. A casa tem cara de homem, com muita bagunça, coisas fora do lugar. Quando minha mulher engravidou pela segunda vez, eu até desejei que fosse uma menina, mas veio Greg’’, conta.
  Não que a convivência só com os meninos seja ruim. Pelo contrário, Abílio garante que é muito bom ter apenas filhos homens.
  ‘‘Acontece que não sei como é ter uma filha. Mas com os meninos é ótimo porque eles são meus companheiros, jogamos bola juntos, conversamos muito’’, diz.
  O empresário explica que a relação que ele tem com os filhos hoje é bem diferente da que teve com seu pai quando ele era jovem.
  ‘‘Antes, os filhos só obedeciam, não tinha essa coisa de conversar e discutir com os pais. A diferença entre pai e filho hoje é muito menor. Não existe mais aquela hierarquia de antigamente’’, afirma.
  O patriarca da família, Abílio Medeiros, 75 anos, concorda e diz que seria impossível criar filhos hoje da mesma maneira que ele criou. ‘‘Na minha época, era tudo no grito e, muitas vezes, só com o olhar o pai já se fazia respeitar. O Abílio foi muito querido, mas eu era bastante rigoroso com ele. A evolução da sociedade e dos meios de comunicação mudaram muito a maneira de educar’’, comenta.
  ‘‘Eu não discutia com meus pais porque não tinha argumentos. Meus filhos têm opinião e sabem se expressar e defender seus pontos de vista’’, completa Abílio.
  Outra mudança entre as duas gerações é a participação do pai na vida dos filhos. ‘‘Minha esposa trabalha e eu preciso ajudar. Como nossos filhos são do mesmo sexo, existe identificação, o que torna a tarefa mais fácil. O desafio atualmente é educar e ser amigo dos filhos. Acho que estou conseguindo isso’’, afirma o empresário.
  Para a mulher de Abílio, Paula Piccinin de Medeiros, os quatro homens da casa são bastante amigos. ‘‘Meus filhos têm no pai um companheiro. Percebo que são bastante unidos. Já comigo eles têm a figura de alguém que ajuda a resolver os problemas. Nunca tive vontade de ter uma filha para me fazer companhia’’, diz.
  Para os garotos, conviver apenas com irmãos do mesmo sexo é muito bom porque todos gostam dos mesmos programas. ‘‘O Pedro e o João brigam comigo, mas eu não ligo. A gente joga videogame junto e eu estou sempre invadindo o quarto
deles’’, confessa o caçula, Gregório.

Praticamente inseparáveis
  A amizade entre o empresário maringaense Edilson Carlos do Lago Nazário, 47 anos, e seu pai, o aposentado Décio Ormerod Nazário, 67, é rara de se encontrar. Os dois fazem praticamente tudo juntos: viajam, participam de festas, compartilham o mesmo círculo de amizades. ‘‘Eu tenho outro filho e uma filha e minha relação com eles é muito boa. Mas, sem dúvida, com o Edilson tenho uma amizade mais próxima. Acho que é assim porque ele é o primogênito e sempre o levei para todo lugar comigo’’, diz Décio.
  ‘‘Sempre fomos muito ligados um no outro, mas depois que eu me casei e passei a ter vida própria, meu pai se tornou um grande amigo. Começamos a discutir as mesmas coisas, ter as mesmas vontades. Sempre que programo alguma coisa, meu pai é a primeira pessoa que entra na lista. Fui convidado para participar do Rotary Club e o chamei porque ele estava sempre comigo nas reuniões e festas’’, completa Edilson. ‘‘Gosto muito de estar com ele e sinto ciúmes se estamos em uma roda de pessoas e ele dá mais atenção para outra pessoa’’, assume o pai.
  E a cumplicidade existente entre os dois serviu de exemplo para Edilson construir sua relação com seu próprio filho caçula, Edilson Orlandini Nazário, 20 anos, conhecido por todos como Dozinho. ‘‘Procuro fazer com ele o mesmo que meu pai fez comigo. Nós jogamos bola juntos, usamos o mesmo tipo de roupa, ele é amigo dos meus amigos e eu dos dele. Não freqüento lugares onde meu filho não possa ir’’, afirma Edilson.
  A amizade também existe entre Décio e o neto, apesar da grande diferença de idade. ‘‘Saímos juntos para pescar e fazer churrasco. Só não o acompanho nas baladas porque não aguento mais’’, brinca o avô.
  ‘‘Nunca achei chato sair com meu pai e meu avô. Muita gente comenta sobre nossa amizade, acha diferente. A companhia dele me agrada em qualquer lugar e sei que quando eu ficar mais velho, terei com meu pai o mesmo carinho que ele tem com meu avô’’, confessa Dozinho.
  O segredo, segundo Edilson, é conversar muito e relevar certas coisas. ‘‘Se não for assim, as brigas acabam atrapalhando. Nunca fui um pai castrador, controlador. Nossa relação é muito aberta e sou assim com minhas outras duas filhas. Eles são independentes e sabem que podem contar comigo para tudo’’, ensina. (H.F.)

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