A interação homem-animal tem sido abordada pela sociologia, psicologia, antropologia, medicina veterinária e outras ciências. Isso porque muito mais que fontes de amor e afeição, os animais são benéficos para a saúde humana.
Estudos desenvolvidos na área de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Botucatu, evidenciam que o contato com animais melhora os batimentos cardíacos dos idosos, além do estímulo emocional resultante da troca de carinhos.
Nos Estados Unidos, estudos mostraram que idosos que possuem bichinhos são menos propensos a sofrer de depressão do que aqueles que não os têm. Além disso, o nível de atividade dos que tinham animais era maior, qualquer que fosse o animal de estimação que tivessem.
''É crescente o número de idosos morando sozinhos. Segundo os dados do Censo realizado pelo IBGE em 2011, são três milhões. O que representa 14% do total de brasileiros com mais de 60 anos. Não tão sozinhos assim, porque também é grande o número de idosos que possuem um animal de estimação, às vezes, mais de um'', diz médica clínica geral e geriatra, Lindsey Mitie Nakakogue.
A relação de idosos com animais, sejam cães, gatos ou outros, pode proporcionar um estímulo para que os idosos tornem o seu tempo útil e continuem povoando suas vidas de novas descobertas.
''É simples verificar os benefícios de se ter um animal: uma caminhada diária com seu cãozinho pode ser uma forma de fazer atividade física, reduzir o colesterol ruim e aumentar o bom, além da socialização com a vizinhança. Uma boa gargalhada por conta da travessura do seu gato reduz o cortisol, hormônio de estresse, e aumenta a serotonina, hormônio responsável pelo bem-estar. Por esses motivos a pet terapia cresce no mundo todo'', explica a médica.
Ter um animal na velhice representa uma oportunidade inovadora para os idosos manterem contato com outros seres viventes, como é o caso dos cães, que, apesar de não falarem, transmitem muito amor e carinho em uma relação em que não marginaliza, ou seja, o cão aceita o ser humano como ele é, sem considerar idade, sexo, cor, poder aquisitivo.
''Após os 60 anos acontecem muitas mudanças: os filhos já não moram mais em casa, vem a aposentadoria, a perda de pessoas queridas, aparecem doenças crônicas... Ter um animal de estimação é comprometer-se com o cuidar, alimentar, passear, dar atenção e carinho. Assim o idoso sente que é responsável por um ser e se esforça para estar bem'', explica a geriatra.
Ainda segundo a médica, ter um animal em casa deve ser sinônimo de alegria e não problema. Para tanto, alerta ela, o dono deve gostar de animais e ter condições para cuidar deles. ''Um cachorrinho, por exemplo, não pode ser a causa de quedas para o idoso e nem de desavenças na família. É preciso estar atento a este convívio para que ele seja harmonioso e traga os benefícios que se espera.''

Imagem ilustrativa da imagem Meu bicho de estimação, minha companhia
Lindsey Nakakogue, médica geriatra: ''Ter um animal é comprometer-se com o cuidar''
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