Meu bem, meu mal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de março de 2001
Celso Mattos 
O chocolate sempre foi considerado o inimigo número um das dietas e da vida saudável. E, agora, com a chegada da Páscoa, começa o terror para quem não consegue resistir àquele delicioso bombom recheado. No entanto, existem estudos que mostram que os benefícios superam eventuais prejuízos. A capacidade de estimular a produção de serotonina substância do cérebro que melhora o humor das pessoas ajuda a combater a depressão e a ansiedade.
Além disso, contém substâncias estimulantes como a cafeína, a teobromina e a tiramina, que aceleram o raciocínio. Mas a nutricionista Cristina Tomasetti, professora de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), lembra que o chocolate é um alimento bastante calórico: 100 gramas contêm de 500 a 600 calorias. Entretanto, o chocolate não eleva o nível do colesterol sanguíneo porque sua gordura, denominada ácido esteárico, não é tão prejudicial como as outras, afirma a nutricionista.
A professora lembra que a cafeína existente no chocolate pode ser um fator de risco para quem tem osteoporose. Pesquisas mostram que essa substância acelera a liberação e a excreção de cálcio do organismo. Isso é prejudicial principalmente para aquelas pessoas que consomem poucos alimentos que são fontes de cálcio. Ela informa que 100 gramas de chocolate contêm aproximadamente 70 mg de cafeína.
Muitas pessoas acham que chocolate diet não engorda, mas isso é um engano. Ele é tão calórico quanto os comuns. Os alimentos diet têm menor quantidade de açúcar, mas não de gordura. Na verdade, são indicados para diabéticos e não para quem deseja perder peso, reforça Cristina Tomasetti.
Mulheres A nutricionista Jocelem Mastrodi Salgado, professora de nutrição da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, de Piracicaba, informa que segundo o British Medical Journal, o chocolate beneficia o sistema imunológico, reduzindo a probabilidade de tumores.
Jocelem Salgado defende também que o desejo pelo chocolate nas mulheres é mais acentuado do que nos homens. Isto porque nelas ocorre uma diminuição do neurotransmissor serotonina no cérebro quando a menstruação se aproxima e elas ficam irritadas. O açúcar do chocolate, então, compensa a falta dessa substância, que promove o bem-estar. Trinta minutos depois da ingestão, já se nota uma mudança no sistema nervoso, levando ao relaxamento, explica.
Segundo ela, a vontade de comer chocolate tende a aumentar logo depois da ovulação, quando o nível do hormônio progesterona diminui. No entanto, nas mulheres que tomam anticoncepcionais, essas flutuações hormonais não ocorrem, e de acordo com os pesquisadores, essas mulheres consomem menos chocolate, informa a nutricionista.


