Desde o início do ano, conhecer a trajetória e o universo criativo particular dos grandes mestres da moda ficou mais fácil. É que a editora Cosac & Naif vem traduzindo para o português a célebre coleção francesa Mémoire de la Mode, que por aqui foi batizada de Universo da Moda e já conta com onze títulos. O italiano Emílio Pucci e a grife japonesa Comme des Garçons foram os últimos a desembarcar nas prateleiras. Mês passado chegaram também Valentino e Thierry Mugler.
Se na moda imagens ‘‘dizem’’ mais que palavras, a coleção tem o mérito de traduzir com riqueza o estilo de cada criador. Os textos, assinados por diferentes jornalistas e especialistas em moda, são breves e concisos e buscam transmitir a essência do trabalho em questão. No volume dedicado a Pucci, a autora Mariuccia Casadio evidencia a importância do estilista – que era marquês e pertencia a uma das mais antigas famílias da aristocracia italiana – para a moda do final dos anos 40, totalmente dependente do que propunha a alta-costura parisiense. Seu grande feito foi unir artesanato e indústria, indo de encontro ao estilo sportswear que na época começava a nascer nos Estados Unidos.
Especialista em história da arte, France Grand escreve sobre a Comme des Garçons se atendo à ideologia da grife, criada nos anos 70, em Tóquio, pela estilista Rei Kawakubo. O constante questionamento sobre a forma convencional de olhar a moda explica a direção puramente conceitual da marca, rica em experimentações. Assim, mais do mostrar roupas, as fotos que ilustram o livro carregam essa filosofia.
Primeiro italiano acolhido no altamente restrito círculo de alta-costura francesa, Valentino inicia sua carreira em 1950, conseguindo imediatamente o reconhecimento internacional. É o que conta a autora Bernardine Morris, enfatizando a preferência do estilista pelo preto e branco, pelas estampas animalescas e pelo vermelho, que se tornaria sua marca registrada.
Num dos melhores textos da série, o escritor François Baudot esmiuça a personalidade, as inspirações e o universo povoado por mulheres-fetiche de Thierry Mugler. ‘‘Astronauta de embate, rodeo-girl de charme, caucasiana ou Vampirella, anjo azul ou inseto carnívoro, lady Mugler é sempre a imagem de uma Gradiva que leu Freud, os comic-strips e As Ligações Perigosas’’, escreve François, como numa legenda antecipada das poderosas imagens que povoam as páginas seguintes.

mockup