Pernambucano radicado em São Paulo desde os anos 1990, Paulo Persil trabalha num dos mais badalados salões do País, o MG Hair, ao lado de Marco Antonio de Biaggi. Cabeleireiro há pouco mais de uma década, Persil se especializou no segmento noivas e acabou se tornando uma das referências nacionais para quem vai se casar.
Os penteados criados por ele ditam moda nos quatro cantos do Brasil. Tanto que a agenda já tem clientela marcada até 2009. ''Costumam brincar que é mais fácil arrumar um noivo do que uma data na minha agenda'', sorri Persil, que além dos horários concorridos também viaja muito dando palestras. Entre as cerca de 60 viagens durante este ano, o cabeleireiro passou por Londrina esta semana para o 1º Paraná Fashion Hair, direcionado para profissionais como ele, no Catuaí Shopping.
As noivas, aliás, são responsáveis pela virada na vida de Persil, que até 12 anos atrás trabalhava em uma lanchonete. ''Foi vendo um amigo pentear uma noiva que descobri que era o que eu queria fazer'', explica. ''Já fui caixa de supermercado e criei habilidade com as mãos moldando coxinhas'', lembra o cabeleireiro. Quando decidiu que se tornaria cabeleireiro, juntou todas as economias e foi para a Europa. ''Estudei na Llongueras, em Barcelona'', conta.
Eleito há dois anos pela revista Vogue como o melhor penteado do Brasil, Persil também ganhou ainda mais pontos no currículo quando foi o escolhido por Athina Onassis para penteá-la no casamento. Mas, assim como todos os profissionais contratados, Persil também teve que assinar um contrato que o impediu de falar sobre o assunto por dois anos. ''Mas acabou vazando e todas as revistas me ligaram'', lembra o cabeleireiro, que na época seguiu firme no voto de silêncio. Como herdeira bilionária, Athina também chamou a atenção da imprensa internacional. ''Uma revista norte-americana me ofereceu R$ 1 milhão (cinco vezes o valor do que ele recebeu pelo contrato com a noiva famosa) para levar uma câmera fotográfica escondida ao casamento'', diz. ''Sou profissional e não aceitei, claro'', avisa.
Diferenças de valores à parte, Persil indica o mesmo procedimento que Athina teve para as outras noivas. Ou seja, dar início ao penteado com pelo menos seis meses de antecedência para testes, dicas de manutenção do cabelo, tintura ou corte. ''Nem sempre o profissional que cuida do cabelo regularmente é o indicado para fazer o penteado do casamento'', diz.
''A moda para as noivas demora um pouco mais para mudar'', explica. ''Nos últimos três anos os cabelos estavam soltos, mas os penteados presos estão voltando em coques descontraídos'', antecipa o expert. ''Mas é tudo pensado milimetricamente para parecer desarrumado'', ensina.
''Costumo dizer que o chique não é chegar bem, o chique é sair bem'', dispara Persil. Para as noivas, isso significa 'segurar' bem o penteado por mais de oito, 10 horas. Na palestra em Londrina, ele apresentou um kit desenvolvido em parceria com Truss. ''Tem tudo o que o profissional precisa para dar segurança à noiva'', garante o cabeleireiro, mostrando sprays, definidores de cachos e outros produtos essenciais.
E Persil também dá dicas para noivas, madrinhas e convidadas. ''Há um revival dos anos 1960, que foi repaginado'', adianta. Um toque especial? ''As flores artificiais, geralmente feitas no mesmo tecido do vestido, podem ser usadas por qualquer uma e não estão mais restritas à noiva'', relata. ''Os tons de cabelo estão mais suaves. Nada de extremos como o vermelho intenso ou o preto azulado, nem mesmo as mechas zebradas. E sempre respeitando o seu estilo'', diz.
Quando está no salão, Persil atende cerca de sete noivas por dia. Muitas são de outras cidades. ''Costumo fotografar o passo a passo para o cabeleireiro da noiva reproduzir'', surpreende.

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