Na vida da professora universitária Lisiane Freitas de Freitas o dia sempre parece ter menos do que 24 horas. Mãe de Matheus, de 7 anos, ela se divide entre os cuidados com o filho e as inúmeras obrigações profissionais.

"Dou aulas, sou coordenadora do curso e nessa função participo de reuniões e viagens. Neste ano iremos sediar um evento nacional muito importante, então preciso dedicar bastante atenção a isso. Também tenho projetos de pesquisa, extensão e formação complementar, oito orientandos e além de tudo estou fazendo doutorado", enumera.

Para tentar dar conta de tudo ela separa as manhãs para Matheus e os compromissos profissionais para tarde e noite. Além de ajudar nas tarefas escolares, acompanha o filho na natação, teatro e taikô, onde assiste às aulas, a pedido dele. "Aos 5 anos ele me disse que não queria ter mãe professora, porque eu não tinha tempo para ele. Por isso estabeleci essa nova dinâmica. Mas no fim ele acabou absorvendo a minha rotina, também é agitado, ansioso e tem várias atividades a pedido dele mesmo", explica.

Depois que deixa o filho na escola, é hora de ir para a universidade, de onde só sai às 23 horas. "No caminho vou pensando no que tenho que fazer. Mesmo quando estou em uma reunião, o celular fica apitando por causa do whatsApp. Estou sempre pensando nas outras coisas. A tecnologia acaba piorando isso", constata.

Tanta correria tem seu preço. Lisiane conta que apesar de não ter dificuldades para dormir - "acho que é de cansaço mesmo" -, acorda cansada. Também se reconhece ansiosa e exigente com a qualidade do que faz. "Às vezes tenho dor de cabeça e já tive alguns problemas de saúde que não tiveram muita explicação. Creio que possam ser da rotina agitada. Mas não consigo desacelerar, é algo que vem de muito tempo. Mesmo nas férias, preciso estar ocupada e a calma é estressante, me sinto ociosa", pontua.

Pausa mesmo, Lisiane afirma só ter feito durante a gestação de Matheus e nos dois anos subsequentes, quando se programou para isso. Por enquanto, ela diz que não há intenção de diminuir o ritmo, o que talvez só deva acontecer daqui a quatro anos, depois que terminar o doutorado. "Já estou pensando em como vai ser. Talvez procure um profissional para me ajudar a parar." (E.G)

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