Duas tendências deste fim de século - a busca da valorização do idoso e a universalização do turismo -, estão gerando no Brasil um fenômeno que há algum tempo é percebido nos países desenvolvidos: as viagens de grupos da terceira idade. Incentivadas e organizadas pelos Clubes da Melhor Idade espalhados pelo País, as excursões dos maiores de 60 anos, embora cada vez mais comuns, ainda não atingem um percentual importante da população idosa.
‘‘A partir de uma política pública que incentive a organização e o convívio social nesta faixa etária poderemos ter uma realidade diferente’’, diz Rosy Chubak, que presidiu o 4º Encontro Sul-Brasileiro de Clubes da Melhor Idade e o primeiro Workshop de Turismo no Mercosul, ambos realizados de 19 a 21 de agosto, em Foz do Iguaçu.
O encontro, apoiado pela Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), reuniu 400 associados de 17 clubes do Brasil, além de especialistas do Chile e da Argentina. Mais que palestras informativas sobre medicina alternativa, longevidade e turismo no Mercosul, os participantes conheceram a experiência argentina e chilena - países onde, segundo dados oficiais, o turismo regular em grupos é praticado por 10% dos idosos. ‘‘Temos centros mais bem estruturados e antigos’’, compara Matilde Rataric, docente do curso de Turismo da Universidade El Salvador, em Buenos Aires.
Matilde também lembra o aspecto econômico da diferença. ‘‘A Argentina também é um país pobre mas, nossa distribuição de renda, percebe-se, é melhor. E, infelizmente, o turismo ainda é coisa de classe média’’, teoriza. No caso chileno, a terceira idade é considerada a faixa etária mais importante nos programas oficiais.
‘‘O Chile tem temporadas turísticas movimentadas, mas muito curtas. A forma que o governo encontrou de otimizar essa estrutura no restante do ano, foi montar um amplo programa de descontos para aposentados’’, conta Verônica Aguillar, do Serviço Nacional de Turismo do Chile.
Entre os participantes do evento, não era difícil encontrar exemplos de turistas veteranos que tentam conciliar rendimentos apenas razoáveis com a paixão das viagens. A professora aposentada Elisabete Jacomel Silva, 63 anos, é presença certa em encontros do gênero. Moradora de Curitiba, cidade onde nasceu, Elisabete viajou todo o Brasil na juventude: ‘‘Nós temos um País de beleza inigualável’’, resume.
Depois de conhecer mais de 20 estados brasileiros - ‘‘Fiz o correto. Aconselho as pessoas a conhecer primeiro o próprio País’’ -, Elizabete internacionalizou seu turismo. Conheceu toda a Europa Central e a América do Norte, depois de se tornar viúva aos 55 anos. Mãe de cinco filhos e avó de oito netos, Elizabete reconhece ser uma privilegiada. ‘‘Tenho saúde perfeita e apoio da família, meu dever é aproveitar a vida’’,
diz.

*(Colaboraram Magda Carvalho, Celina Alonso Az e Paulo Pegoraro)

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