Nas mulheres, os sintomas da menopausa geralmente começam depois dos 45 anos de idade. Calores, queda da libido, secura vaginal, irritabilidade, mudanças na pele e alterações no ciclo menstrual são sinais de que os hormônios estão diminuindo e irão parar de ser produzidos em breve. Para resolver o problema, a reposição hormonal é recomendada pelos especialistas.
  O que pouca gente sabe é que os homens também sofrem uma queda dos hormônios e apresentam vários sintomas desagradáveis em decorrência disso. ‘‘Algumas pessoas chamam essa fase de andropausa, mas o nome é incorreto porque não existe uma interrupção na produção de testosterona. O que ocorre é apenas uma diminuição pequena que, em alguns homens, traz alterações significativas’’, esclarece o urologista Armando Diniz Júnior.
  Chamada de Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), a queda da testosterona ocorre por volta dos 40 e 50 anos de idade, e representa uma diminuição de 1% ao ano na produção do hormônio masculino. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, 10% a 20% dos homens acima de 50 anos apresentam queda de testosterona. ‘‘Como a taxa de nível normal pode variar de 300 a 800, dependendo de cada homem, a maioria não chega a apresentar sintomas significativos. Apenas 5% dos meus pacientes precisam de tratamento para eliminar os sintomas da DAEM’’, diz o médico.
  Cansaço, estresse, queda de atenção, obesidade, insônia, irritabilidade, dificuldade de ereção, diminuição do desejo sexual e comprometimento da memória e do raciocínio são os sintomas do distúrbio. Outros problemas relacionados são a redução da massa muscular, diminuição da força física e maior risco de osteoporose e fraturas. ‘‘A deficiência hormonal diminui muito a qualidade de vida do paciente. É importante que os sintomas sejam levados a sério e, se necessário, seja feita a reposição. Os riscos de problemas cardiovasculares também aumentam com a queda da testosterona, uma vez que esse hormônio funciona como protetor do sistema vascular’’, comenta Diniz.
  Para se determinar a necessidade da reposição é feita a anamnese – entrevista para pesquisar antecentes da doença –, e exames laboratoriais que determinam as taxas de hormônios no sangue. ‘‘Muitas vezes, os sintomas podem ser resultantes de outras causas, como falência dos testículos. Mas exame de sangue é fundamental para determinar o tratamento. Apenas homens que estejam abaixo do mínimo de 300 devem fazer reposição’’, explica o especialista.
  O receio de prescrever o tratamento em pacientes que não necessitem realmente dele, é que existem efeitos colaterais importantes. A reposição hormonal pode causar problemas hepáticos e na produção de espermatozóides. ‘‘Muita gente acredita que a reposição causa câncer de próstata, o que não é verdade. Mas a terapia deve ser evitada em pacientes que já tiveram a doença, para evitar qualquer complicação. E independentemente da pessoa, é extremamente necessário consultar um médico antes de iniciar o tratamento’’, alerta.
  Os medicamentos são encontrados na forma oral (comprimidos), transdérmica (adesivos ou cremes) e intramuscular (injetáveis). ‘‘Os mais usados são os orais e as injeções, mas cada paciente é um caso específico’’, afirma Diniz. Ele garante que os efeitos colaterais da reposição são pequenos, mas o acompanhamento médico é fundamental. ‘‘O paciente precisa ir ao consultório a cada seis meses. Isso porque em alguns casos a terapia pode ser suspensa, como em diabéticos ou com DAEM resultante da ingestão de bebidas alcoólicas’’.
  A novidade nessa área é uma nova substância, o undecanoato de testosterona, desenvolvido pela Schering do Brasil. Disponível na forma intramuscular, funciona com aplicações trimestrais que mantém estáveis os níveis de hormônio no sangue. ‘‘A vantagem é que agora o tempo entre uma aplicação e outra aumentou muito, ao contrário do outro medicamento, aplicado a cada cada 15 dias’’, esclarece o urologista.

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