Reposição hormonal é uma expressão comum para o mundo das mulheres que passaram dos 45 anos de idade. Com a chegada da menopausa e a interrupção na produção de hormônios, a terapia se faz necessária em vários casos. Mas falar de andropausa e reposição hormonal masculina parece um absurdo para a maioria da população. Apesar de pouco divulgada, a terapia existe há mais de dez anos.
De acordo com o urologista Nicola Mortati Neto, antes de se falar em reposição hormonal masculina é preciso entender o que é a andropausa e suas diferenças com relação à menopausa feminina. ''Enquanto que na mulher ocorre uma interrupção total ou muito grande na atividade dos ovários, no homem os testículos sofrem uma queda gradual na produção de androgênios (hormônios masculinos) e espermatozóides. Alguns autores também afirmam que esse fenômeno é ocasional e ocorre mais tardiamente ao contrário da mulher, o homem não tem uma fase definida na vida na qual acontece naturalmente a interrupção da produção de androgênios'', diz.
Testosterona Ele explica que em apenas 20% dos homens esse declínio pode atingir níveis abaixo da normalidade, causando determinados sinais e sintomas físicos. ''Os níveis de testosterona no sangue do homem variam de 300 a 1000ng/dl (nanograma por decilitro). A diminuição na produção é de aproximadamente 1% a partir dos 40 anos. Apenas quando os níveis, medidos em exames de laboratório, ficam abaixo de 200 ng/dl e existem sintomas pode ser necessária a utilização de reposição hormonal'', afirma.
Os sintomas da andropausa ou Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) são alterações de humor, queda de cabelo, diminuição da atividade intelectual e orientação espacial, queda da libido e da qualidade das ereções, diminuição da força e massa muscular, depressão, cansaço, alterações do sono e da distribuição da gordura corpórea, que passa a se alojar mais na região do abdome. ''Mas é importante lembrar que esses sintomas são características de vários outros problemas, e não necessariamente da DAEM. Nem sempre a reposição hormonal é a solução'', comenta.
Contra-indicações Casos em que a utilização de hormônios sintéticos não é necessariamente relacionada ao envelhecimento são mais comuns, segundo o especialista. ''Existem situações nas quais os testículos não produzem testosterona, como no hipogonadismo, traumas e cirurgias que interferem no funcionamento dos testículos, osteoporose primária, micropênis e Síndrome de Klinefelter. Neles, a reposição é realmente prioritária. Nos demais é preciso uma boa avaliação médica para determinar a causa dos sintomas''.
A preocupação deve-se ao fato de que a reposição hormonal pode trazer consequências graves para o organismo de ambos os sexos. Pacientes com predisposição para câncer de próstata, de mama, problemas hepáticos, de coração, colesterol e portadores de policitemia, que é o aumento no nível de glóbulos vermelhos, têm contra-indicações para o tratamento. ''E mesmo aqueles que não têm tendência para essas doenças precisam de acompanhamento médico para evitar complicações'', alerta o urologista.
A medicação hormonal pode ser feita com comprimidos, injeções e adesivos que são ministrados de acordo com a necessidade de cada paciente, para que não se utilize uma quantidade maior do que o organismo está habituado a sintetizar. Nos homens devidamente analisados e que se submeteram ao tratamento com hormônios, o médico afirma que os resultados têm sido eficazes. ''Mas considerando os efeitos colaterais e a necessidade de estudos sobre o assunto, a reposição em homens não deve ser tratada como uma rotina médica. Ela só deve ser usada em casos realmente específicos'', garante.

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