Força, segurança, iniciativa, responsabilidade. Esses adjetivos geralmente são usados para descrever a figura masculina. Mas homens equilibrados e felizes não nascem prontos. Como educá-los para isso? ''Se queremos mais homens bons no mundo, precisamos começar a tratar os meninos com menos reprovação e mais compreensão'', afirma o terapeuta australiano Steve Biddulph, no livro ''Criando Meninos'', lançado no Brasil no final do ano passado e que está entre os 10 mais lidos no País na categoria de auto-ajuda, segundo a revista Veja.
As diferenças de personalidade entre os meninos e meninas os pais percebem desde o início da criação. As brincadeiras, os hábitos, os gestos. Enquanto as meninas, costumeiramente, desenvolvem manias delicadas, como colecionar papéis de cartas, figurinhas românticas, os meninos optam por guardar coisas e objetos que os classifiquem como conquistadores e aventureiros: colecionar besouros, por exemplo.
No livro, o autor diz que, os meninos, ao contrário do que se pregou por 30 anos, são diferentes das meninas mais inseguros, não têm objetivos, enfrentam dificuldades de relacionamento, a maturidade é mais tardia. Isso os deixa mais vulneráveis à violência, ao álcool, às drogas. Os genes e hormônios masculinos (testosterona) têm importante influência sobre a psicologia e o desenvolvimento dos meninos.
Educação A psicóloga Maria Luiza Jorge, que trabalha com crianças e adolescentes em Londrina, diz que não conhece o livro, mas concorda que há diferenças biológicas nos meninos que precisam ser consideradas no processo de educação. Ela cita que as diferenças aparecem a partir dos três anos de idade, quando a criança identifica o sexo. ''Filhos homens precisam de pais muito presentes'', destaca. Isso porque o mundo em que eles convivem é muito feminino: a presença constante da mãe e das professoras nas escolas elas geralmente são mulheres.
Segundo o autor do livro, há três estágios distintos da infância, onde se percebem supreendentes mudanças e variações de humor e energia nos meninos. O primeiro estágio vai do nascimento aos seis anos, que ele considera como ''anos tranquilos'', já que a sexualidade não faz muita diferença. A mãe é a figura principal. A segunda fase vai dos seis aos 14 anos, quando o menino está aprendendo a ser homem. Aí o papel do pai é imprescindível para que ele possa se identificar com a figura masculina. Se não existe um pai, é preciso um substituto.
Biddulph cita ainda cinco componentes básicos na arte de ser pai: começar cedo a dar mais atenção, arranjar tempo, ser expansivo, viver com mais leveza e ser firme. A partir dos 14 anos começa a fase em que o garoto está ficando homem, aí ele precisa de mentores, outros adultos que o ajudem a penetrar aos poucos num mundo maior.
Ausência Maria Luiza destaca os períodos entre os 7 e 8 anos, quando o garoto está se identificando sexualmente, e dos 11 e 12 anos, quando entra na adolescência, como as principais fases para a participação do pai na vida do filho. Elas são caracterizadas por muita desorganização e até mesmo o retorno a atitudes infantis como as birras. ''Os hormônios agem o tempo todo, fazendo-o sofrer muito''.
A psicóloga destaca que a entrada na adolescência pode provocar uma ''separação corporal'', o menino se desgruda um pouco do pai e, quando precisa dele, dá demonstrações. ''O processo deve ser respeitado mas, de vez em quando, é importante um tapinha nas costas, tipo 'e aí filho, tudo bem com você?''.
A ausência do pai, de acordo com ela, pode atrapalhar na aprendizagem e ainda contribuir para que o adolescente seja muito fechado ou agressivo. A mãe, de forma inconsciente, tem uma parcela de responsabilidade pela não participação do pai na vida do filho. Como foi criada para cuidar dos filhos, ela assume sozinha a educação.
Mas é preciso cobrar ou permitir a presença do pai. Em ações simples como buscá-lo na escola ao menos uma vez na semana, levá-lo ao futebol, à pescaria, ou ao menos vê-lo tomar banho. Nessas oportunidades é importante que o pai fale de si para que o filho, faça confidências. Maria Luiza sugere que, ''o ano está começando e ainda dá tempo para se programar. Pai é moral, é limite, é lei''.
Quando isso não é possível, aí a mãe deve falar do pai, do que sabe da sua infância, das suas atitudes quando namoravam, da sua personalidade. ''O pai está presente pela boca da mãe que o escolheu, então tem amor nesse relato, isso também é importante'', acrescenta a psicóloga.
Mas, segundo ela, não há motivos para desepero, há muita bibliografia disponível para auxiliar. Ela lembra autores brasileiros como Içami Tiba e Tânia Zaguri, e alerta que essas orientações não devem ser tomadas como regra, pois não há manuais para isso: ''Educar é intuição'', observa.
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Serviço: ''Criando Meninos'', de Steve Biddulph, 168 páginas, Editora Fundamento/Livraria Bom Livro, R$ 28,00

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