Chegar na festa com as amigas, trocar olhares com um garoto e ficar esperando que ele tome a iniciativa do primeiro contato é uma prática cada vez mais distante dos rituais de encontro entre meninos e meninas. No rastro da revolução sexual vivida por suas mães e tias, elas já não se contentam com o papel passivo no jogo da conquista. Livres da inibição e de tabus machistas, estão partindo para cima dos meninos, usando as mais variadas táticas, seja preparando terreno para o ataque com astúcia o que geralmente os deixa totalmente desarmados ou ''atirando'' sem dó nem piedade.
''Um dia, passando de carro no balão da Avenida Maringá com uma amiga, ela viu um cara no carro ao lado e disse pra ele: 'quero beijar você'. Desceu do carro, beijou e depois fomos embora'', conta Fernanda Bocatti Vieira, 19 anos, que não aprova esse tipo de abordagem por considerar ostensiva demais. ''Mas tem muita menina que gosta de 'sair para a guerra'. Elas pensam: 'se os meninos não querem mesmo nada sério, vamos entrar na onda deles''', justifica.
Para Maíra Eiras Fernandes, 16 anos, a coisa não é bem assim, pois em muitos casos as investidas femininas se fazem absolutamente necessárias, como por exemplo, diante da inércia dos meninos, que ficam naquele ''nem ata nem desata''. Haja paciência... ''Às vezes, não sabemos o que esperar deles, se querem mesmo alguma coisa'', diz Maíra, que nessa situação prefere agir. ''Na verdade, a gente arma para dar a impressão de que eles é que estão no comando da conquista'', revela. Portanto, garotos, desconfiem da próxima vez que encontrarem uma menina ''por acaso'' em algum lugar...
Poder de fogo Puxar assunto para sondar se há chances ou não de rolar alguma coisa também é uma prática recorrente. ''Mando uma amiga falar com ele para saber se dá para investir ou dou indiretas de que estou interessada'', conta Maíra. Suas estratégias, ao que tudo indica até agora, têm dado certo. ''Conheci um cara num churrasco, minha amiga pegou o telefone dele, liguei depois chamando para sair e a gente acabou ficando junto. Foi a minha iniciativa que contou. Podia ser até que rolasse, que ele ligasse, mas ia demorar mais'', observa.
Talita Caroline Secco, 17 anos, também é adepta dessa tática menos direta. ''Uma vez eu estava gostando de um menino, conhecia a prima dele e ela me disse que ele me achava muito nova. Em um mês, fiz com que ele mudasse de opinião. Joguei charme, fiquei mais amiga dessa prima, comecei a frequentar os mesmos lugares'', relata. Depois que o tal garoto sucumbiu e estava nas mãos de Talita, ela enrolou o pobrezinho por duas semanas até consumar a conquista. Alguém ainda duvida do poder de fogo das mulheres?
Não é o caso de Ricardo Martins, 18 anos. Dos namoros que teve, todos foram consequência de bem sucedidas armações femininas. ''Para mim, tanto faz quem toma a iniciativa'', diz. Já Guilherme Fabretti, 19 anos, acha que ''as melhores meninas, geralmente, são as mais recatadas''. Como essa tática de ''cair matando'' não é tão frequente assim entre elas, quando acontece, ''já pensamos logo que são pervas'', diz.
Suar a camisa A reação masculina diante desse tipo de investida é diretamente proporcional aos atributos físicos da garota. ''Se a menina for bonita, melhor para o cara, que não corre o risco de tomar um toco'', dispara Guilherme, revelando o lado cômodo de desempenhar o papel passivo da história. Mas, quando não há possibilidade de jogo, eles preferem apelar para desculpas. ''Se não estou a fim, digo a verdade para não deixar a menina na expectativa. Ou então invento que tenho namorada'', conta Henrico Tamiozo, 17 anos.
As formas de eles serem abordados, na maioria das vezes, incluem a intervenção de uma figurinha imprescindível nesse jogo da conquista: a amiga, que puxa papo para sondar o terreno e a receptividade diante uma possível investida. ''Pergunto quem é e, se me interessar, chamo para conversar'', conta Henrico. Em outras situações, a tática é mais incisiva. ''Algumas vezes, elas dão indiretas do tipo: estamos numa balada, um casal de amigos está ficando junto e ela diz, 'ah, ele nem é tão bonito assim, prefiro você'''. Indireta?!
Apesar de não ter preconceito contra esse tipo de abordagem, Henrico confessa que dá mais valor quando é ele quem tem de suar a camisa para conquistar. Todas as suas namoradas foram batalhadas assim. Mesmo admitindo que, muitas vezes, saem para as baladas querendo só ''ficar'' e que na maioria das vezes se dão bem por causa da ampla ''oferta'' no mercado , todos os meninos se defendem argumentando que esse perfil masculino é um estereótipo. ''As meninas têm que saber escolher o cara'', aconselham. Detalhe: nenhum deles concorda que tenha mulher sobrando por aí... n
Agradecimento: Colégio Maxi

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