Meninas e cosméticos, uma relação delicada
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Da Editoria 
Elas brincam de boneca, de bola e pulam corda na escola, mas não dispensam um batom e um esmalte colorido. Ainda são crianças, mas muitas vezes se perdem no guarda-roupa da mãe experimentando sapatos de salto alto, jóias e perfumes. É só um ensaio. E, segundo a psicologia, isso é muito natural e faz parte do processo saudável do amadurecimento feminino. Os pais acham divertidas estas investidas e alguns até estimulam as filhas a se maquiarem para ficarem mais bonitas. Entretanto, é preciso ficar atento aos produtos e cosméticos que começam a fazer parte do universo infantil.
Segundo a dermatologista Flavia Addor, diretora técnica da Medcin Instituto da Pele, de São Paulo, muitos produtos podem causar problemas dermatológicos. Alguns cosméticos apresentam substâncias químicas que aumentam o risco de dermatite de contato, por exemplo, afirma a médica. A pele infantil, embora não tenha nenhuma fragilidade em relação à pele adulta, tem uma área proporcionalmente maior, o que facilita a absorção de determinadas substâncias, acrescenta. Outra questão importante a ser considerada é o cuidado com o uso indiscriminado dos produtos. Usar em excesso pode provocar irritações na pele como ressecamento e descamação, já o uso impróprio, pode trazer outros malefícios como a inalação excessiva ou mesmo ingestão, sobretudo em crianças pequenas, alerta.
A solução mais adequada é a prevenção. Neste caso, o ideal é que as meninas tenham seus próprios produtos de higiene e cosméticos, cujas formulações e mesmo embalagens foram desenvolvidas especialmente para o uso infantil. Vale lembrar que os produtos devem ser exclusivamente para crianças, não para bonecas, pois estes não são formulados com ingredientes cosméticos propriamente ditos, com a segurança adequada. Não adianta somente que os produtos sejam de uma marca confiável. É preciso que sejam produtos infantis. Eles são feitos à base de ingredientes próprios para esta finalidade, e normalmente são elaborados para manter as características da pele infantil, acrescenta, alerta Flávia. É importante que as mamães estejam atentas aos rótulos. Produtos com pequena quantidade de corantes e ausência de álcool são as melhores opções. Além disso, já existem no mercado produtos de marcas que se preocupam com a segurança, desenvolvendo estudos apropriados, e podem ser identificados com os dizeres de rotulagem dermatologicamente testados e hipoalergênicos, lembra.
Outro fator que merece atenção é a procedência dos produtos. Cuidar da pele também é cuidar da saúde. Assim como os remédios, produtos cosméticos e de higiene não podem ter procedência duvidosa. Essa regra é especialmente importante quando se trata de crianças, recomenda a dermatologista. Produtos vendidos em camelôs, por exemplo, podem representar grande risco para a saúde. Além de freqüentemente estarem mal acondicionados, muitos deles são clandestinos e não possuem o registro do Ministério da Saúde, esclarece. q


