Memória para os dentes
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
O famoso sorriso metálico marcou a vida de gerações de crianças e adolescentes. As lembranças das consultas mensais ao dentista remetem àqueles dias passados com dores, à base de sopinhas, até que o organismo se adaptasse ao novo ajuste do aparelho ortodôntico. E e essa rotina podia levar anos, dependendo do problema a ser corrigido.
A correção dos casos de má oclusão dentária continuam sendo solucionados pela ortodontia, mas com a diferença de que as técnicas modernas aplicadas hoje, e os materiais utilizados, permitem ao paciente mais rapidez no tratamento e a diminuição de idas ao dentista para fazer os ajustes necessários.
O segredo dessa nova técnica está na força aplicada à arcada dentária. ''A pressão é de baixa intensidade e de longa duração'', explicam os ortodontistas Rodney Kazuaki Yonegura e Alessandro Freitas Machado, da clínica Uniorto de Londrina. Segundo Yonegura, a força aplicada no ajuste desses novos aparelhos é 600 vezes menor do que a utilizada no sistema convencional, porém, ela se mantém durante três meses, o que explica a diminuição do número de retornos ao dentista no período de tratamento. A duração é de 18 meses em média.
Nesses aparelhos são utilizados materiais de alta tecnologia. O fio que vai formar o arco, que fica preso pelos brackets (peças coladas aos dentes) é termoativo e foi desenvolvido por cientistas da Nasa para utilização em antenas de satélites. Assim, é o calor da boca que vai ativar o efeito do sistema. ''Podemos dizer que esse aparelho tem memória. Conforme o dente vai se movimentando, o aparelho não perde a força devido à característica de imprimir uma pressão constante'', frisa. Este sistema de correção ortodôntica também diminui o índice de extração de dentes em relação ao tratamento convencional, lembra o especialista.
Outra vantagem desenvolvida pela nova tecnologia é o conforto do sistema autoligado. Uma pequena trava dentro dos brackets é responsável por prender o fio do arco, dispensando o uso de borrachinhas, e conferindo menos atrito no interior da boca. O tratamento pode ser realizado em adultos e crianças a partir dos dez anos.
A respeito do custo, Yonegura explica que como o material é importado, o valor do tratamento depende do cálculo que é feito na empresa importadora dos itens em São Paulo, depois de o paciente ter passado por uma consulta de avaliação.
Má oclusão atinge a maioria das pessoas
De acordo com o ortodontista Rodney Yonegura, a má oclusão está presente em mais de 90% da população. O problema se deve a vários fatores, como:
■ Mastigação de comidas macias (ao contrário da alimentação de algumas gerações anteriores), impedindo o correto estímulo de desenvolvimento dos maxilares
■ Fatores hereditários
■ Má postura
■ Problemas respiratórios (respiração bucal)
■ Perda precoce de dentes de leite
■ Ausência, excesso ou alteração no tamanho dos dentes
■ Uso de chupetas, mamadeiras e hábitos como roer unhas, dormir ou assistir TV com a mão embaixo do rosto
■ Colocar a língua entre os dentes ao falar ou deglutir.
O especialista ressalta que a ortodontia moderna é multidisciplinar e, na maioria dos casos, é imprescindível a parceria com outras especialidades, como fonoaudiólogos, otorrinos, odontopediatras, endocrinologistas, fisioterapeutas, cirurgiões buco-maxilo-faciais, periodontistas, implantodontistas e outros profissionais da área da saúde.
A correção e a prevenção da má oclusão favorecem a estética, a higiene bucal, a mastigação, as articulações temporo-mandibulares, a fonação e principalmente a autoestima, pois o sorriso é um importante cartão de visitas, observa Rodney Yonegura.


