Se o medo de coisas imaginárias pode e deve ser eliminado da vida das crianças, alguns temores são importantes para manter a segurança e afastar os pequenos dos perigos do mundo real. ''Não pode haver um medo exagerado, mas os filhos precisam saber se defender'', comenta a psicóloga Maria Elizabeth Barreto de Pinho Tavares.
Ela lembra que desconfiar de pessoas estranhas e não caminhar por ruas desertas são alguns cuidados que os pais precisam transmitir aos filhos. ''Infelizmente, o homem do saco existe. Ele é o assaltante, o sequestrador. Explicar como evitar essas situações de perigo é fundamental'', afirma.
Para crianças pequenas, as histórias de conto de fadas podem ser aliadas na hora de exemplificar os riscos que a falta de atenção pode trazer. ''A maçã da Branca de Neve pode ser interpretada como a droga oferecida nas portas das escolas. Na hora de contar a história, os pais podem relacionar com o real e ajudar os filhos a se prevenirem'', diz Elizabeth.
Um erro comum é a tentativa de superproteger os filhos. A especialista diz que, pelo medo de que algo aconteça, muitos pais não permitem que os filhos ir à escola sozinhos ou brinquem na rua, gerando insegurança e dependência. ''É preciso, com o tempo, dar liberdade. Um adulto pode fazer o caminho da escola até em casa com a criança para mostrá-la como proceder. Outra dica é evitar comprar coisas caras para o filho, para evitar assaltos'', ensina.
E se ainda assim um assalto acontecer, o apoio dos pais é fundamental para que o pânico não tome conta dos pequenos. ''Nessa hora é necessário acalentar a criança e incentivá-la a continuar com a vida normal'', explica.
Caso o medo venha de algum animal ou situação rotineira, como andar de avião ou passear na montanha-russa, Elizabeth garante que forçar a encarar o inimigo não é a melhor solução. ''É preciso dar o exemplo e incentivar os pequenos a tomarem coragem para se aproximar de um cachorro ou embarcar em um avião, mas isso deve acontecer de forma natural, sem pressão. E se mesmo assim eles se recusarem, os pais devem aceitar, desde que isso não atrapalhe muito a vida da criança.''(H.F.)

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