A recente expulsão de quatro alunos adolescentes de uma escola tradicional carioca chocou pais, estudantes, educadores e levantou polêmica. Para a escola, eles transgrediram regras ao fumar maconha durante uma excursão e receberam a pena máxima. Pais dos alunos consideraram a expulsão um castigo extremo. Alunos da escola protestaram contra a medida.
No Paraná, a deliberação 016/99, do Conselho Estadual de Educação, proíbe a expulsão como sanção ao estudante. Na opinião de diretores de escolas tradicionais de Londrina, a determinação não significa, contudo, passe livre para atos de indisciplina ou infrações penais.
A diretora educacional do Colégio Marista, Marize Mazzolli Rufino, diz que o colégio reconhece a deliberação estadual proibindo a expulsão. Afirma, contudo, que se colocar em risco toda a coletividade, o aluno será afastado da escola. ‘‘É preciso analisar caso a caso, mas nada nos fará receber ou manter um aluno que coloque em risco os demais’’, frisa.
Perigo A congregação dos Irmãos Maristas está presente no Brasil há mais de um século. A escola funciona em Londrina há 45 anos. Hoje, estão matriculados 2.400 alunos; 500 cursam o ensino médio.
Para ilustrar a defesa da exclusão em situações de grande perigo, Marize cita a expulsão de três alunos há cinco anos. Amparado pela norma contra a exclusão, o pai de um dos alunos ingressou com liminar e obteve a reintegração.
Pouco tempo depois, lembra a coordenadora, a escola afastou esse mesmo aluno, apanhado com uma arma de fogo dentro da sala de aula. ‘‘Fechamos questão. Nada, lei nenhuma nos faria manter um aluno que colocasse em risco a segurança de toda a escola’’, enfatiza.
Segundo ela, a direção do colégio não tem problemas com relação ao consumo de drogas nas suas dependências. Sempre que sente necessidade, reúne alunos, pais e educadores para debater com especialistas temas como violência, drogas e sexualidade, entre outros. ‘‘O que não pode acontecer é simplesmente ignorar, fingir que não existe e não encarar o problema de frente. É preciso que se encare e se dê andamento. Seja orientando a família se for o caso, buscando órgãos competentes ou convidando o aluno a sair’’, salienta.
Postura careta O professor Virgílio Tomasetti Júnior, diretor do Colégio Maxi, é enfático ao afirmar que ‘‘tem a postura mais careta possível quando o assunto é droga, seja dentro ou fora da escola.’’ O colégio tem 2.500 alunos; 1.100 frequentam o ensino médio.
Tomasetti observa que não é admitido o uso de qualquer droga ou álcool dentro do estabelecimento ou em atividades externas, como no caso de excursões. Acrescenta, ainda, que ‘‘a escola nunca enfrentou esse tipo de problema.’’
Ele destaca que a norma está no regimento da escola, artigo 8º, segundo o qual, não é permitido ‘‘fumar nas dependências do estabelecimento, usar bebidas alcoólicas, usar ou comercializar substâncias consideradas tóxicas por lei ou jogar cartas nas dependências do colégio’’. Tomasetti reforça que o colégio segue projeto psicopedagógico ao qual o aluno tem que se enquadrar: ‘‘Os pais que nos procuram concordam com o projeto, comungam do nosso pensamento.’’
Seguindo orientação da Secretaria de Estado da Educação, Tomasetti diz que os problemas são resolvidos de acordo com as instâncias competentes. ‘‘Assuntos pedagógicos são tratados como pedagógicos; a criminologia é tratada como criminologia. A Secretaria (da Educação) faz uma distinção enorme entre problemas de polícia e problemas pedagógicos’’, destaca.
Conscientização O professor Carlos Ricardo Caslavsky, diretor da maior escola estadual da cidade, o Colégio Professor Vicente Rijo, se diz contrário à expulsão de aluno seja qual for a situação. ‘‘O jovem é um ser mutante. Hoje, pensa de uma forma; em dois anos, estará mudado. Tem é que se trabalhar com ele em conjunto com a família’’, considera. Um total de 3.200 alunos frequentam o ensino fundamental e médio na escola.
Quando o tema é droga, a postura é reafirmada: ‘‘Expulsar não resolve. Tentamos conscientizar os pais sobre o fato e junto com eles e o auxílio de psicólogos promovemos o tratamento visando a recuperação do adolescente’’, explica.
O diretor comenta que drogas não são uma preocupação que aproxima os pais da escola. Segundo observa, a rotina diária de trabalho de pais e mães faz com o tempo dedicado aos filhos fique muito reduzido, dificultando, inclusive, o acompanhamento da vida escolar. ‘‘Cerca de 60% dos pais da nossa escola são pais de uma hora diária. Se eles participassem mais da vida dos filhos, muita coisa seria mais facilmente resolvida’’, acredita.
‘‘Fato positivo neste sentido’’, complementa Caslavsky, ‘‘tem sido o trabalho da Associação de Pais e Mestres do colégio. A promoção de debates focalizando assuntos de interesse da família tem aumentado a audiência nas reuniões. O último encontro reuniu cerca de 300 pais, número que, segundo o diretor, já foi bem inferior.

mockup