Médicos em campo de sonhos
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quinta-feira, 17 de outubro de 2002
Reportagem Local 
O lazer e a prática de alguma atividade esportiva são apontados pela maioria dos médicos como a opção ideal para se livrar do estresse da profissão. Na lista desportiva há uma variedade de modalidades como futebol, tênis, ginástica, caminhadas. A que se tornou ''preferência medicinal'' foi o golfe 20% dos sócios do Londrina Golf Clube são médicos.
O campo oferece um cenário paradisíaco distribuído em uma área de 35 alqueires, com muito verde, ar livre e uma inexplicável sensação de liberdade. ''É o panorama ideal para quebrar o ritmo estressante do hospital'', justifica o cirurgião cardíaco Luiz Carlos Miguita, presidente do clube.
''No esporte assim como na profissão, a precisão é a regra básica; o índice de acerto está muito próximo ao de erro'', observa. Outro princípio que não pode ser desprezado é o equilíbrio. ''Impulsionar o taco requer um movimento coordenado do corpo, da cabeça aos pés'', explica.
A prática, para Miguita, é a receita da vida. ''Manter o bom humor, ter grande afetividade com a família, comer e beber moderadamente, não fumar, ter equilíbrio e ser feliz'', resume.
Para não perder o charme e a elegância, o esporte adota ainda uma indumentária que dispensa comentários.
Celular Pela regra do clube, é proibido o uso de celulares, mas a responsabilidade da profissão permite algumas exceções. ''Só nos dias de torneio a regra é exigida''. Miguita destaca ainda que a passadinha no hospital não deixa de ser prioritária. ''Antes de chegarmos aqui, já visitamos nossos pacientes internados e fizemos todas as prescrições e recomendações necessárias'', assegura.
Além do lazer o clube tem também um papel social, empregando indiretamente adolescentes e pais de família para o transporte das mochilas com os tacos, cujas diárias que variam de R$ 10,00 a R$ 15,00, auxiliam na complementação da renda mensal. ''Dos adolescentes exigimos a frequência escolar'', destaca. Miguita só lamenta a característica elitizante que o esporte possui no País, restringindo a poucos a sua prática. Segundo ele, no Rio de Janeiro o golfe está se popularizando entre os meninos de favelas. Nos Estados Unidos o esporte, de acordo com o médico, não tem classe social e existem muitos campos públicos.
''A cabeça fica nos eixos'', brinca o cirurgião digestivo Milton Ogawa. Ele não esconde que espera ansioso pelos domingos de folga que lhe permitem a prática do esporte. O ambiente natural é para ele, fundamental no relaxamento do corpo e da alma.
O pediatra Eduardo Inada diz que qualquer esporte ajuda a diminuir as tensões do dia-a-dia. A vantagem do golfe, para ele, é ser menos traumático. ''É uma atividade interessante para pessoas de idade avançada'', debocha. Em seguida ele completa dizendo que ''nada impede que crianças e jovens o pratiquem''. ''Deve-se começar cedo como em qualquer atividade desportiva'', corrige.
Os médicos gastroenterologistas Issamu Onishi e Ricardo Nakamura dispensaram quaisquer comentários, ou melhor, limitaram-se a exibir o conhecimento e a satisfação com o esporte com belas tacadas. n


