Medicamentos
Segundo Frederico Navas Demétrio, médico assistente do Grupo de Doenças Afetivas (depressão e transtorno bipolar), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), uma vez detectada, a doença precisa ser tratada. A recorrência se torna mais provável a cada episódio de depressão, avisa o médico. A falta de percepção dos sinais no organismo ou a insistência em encará-los como passageiros pode mascarar a doença, favorecendo sua evolução cada vez pior com o passar do tempo. "Quanto mais tempo o indivíduo ficar sem tratamento, maior será a chance de ter outros episódios", diz.
Quanto às causas, o médico afirma que a carga genética exerce influência sobre a chance de desenvolver depressão ou não ao longo da vida. Demétrio explica que a doença pode estar relacionada também a lesões em determinadas áreas do cérebro.
Além de ser assunto nem sempre fácil de comentar, o tratamento da depressão com medicamentos também é visto com preconceito. Porém, a ciência tem avançado também nessa área. De acordo com Demétrio, os remédios de combate à depressão têm evoluído e atuado de modo mais eficaz no organismo, com a diminuição dos efeitos colaterais.
"A terceira geração de antidepressivos, os chamados duais, possui boa tolerabilidade com eficácia, o que possibilita seu uso contínuo e seguro por meses ou até anos, já que o tratamento não pode ser interrompido", explica. Isso significa que esses medicamentos têm pouca interferência no peso e na libido do paciente, além de baixa probabilidade de interação medicamentosa, inclusive com anticoncepcionais."
A meta do tratamento, explica o médico, é a remissão completa dos sintomas da depressão, ou seja, a volta do indivíduo ao seu funcionamento normal. "Retornar ao trabalho, reassumir o interesse pela vida, restaurar os relacionamentos pessoais. E para que o paciente recupere completamente a funcionalidade é importante aliar o tratamento com a psicoterapia", diz.
Buscar mudanças nos hábitos diários é de extrema importância para a melhora do paciente, sugere Kalil Duailibi. "O quadro depressivo pode ser o estopim para uma mudança de vida. Por isso, é importante incentivar a pessoa a incluir a prática de atividades físicas, buscando melhorar a alimentação e deixar de lado o fumo e o álcool", recomenda o médico.





