Materiais alternativos
Materiais
alternativos
Elisa Marilia Carneiro
Kraw Penas
As pedras brasileiras ficam mais bonitas com a prata, que realça o contraste das cores, diz o designer Rodrigo AlarcónOs ourives mais antigos foram os simérios da Mesopotâmia (região atual do Iraque, no vale entre os rios Tigre e Eufrates), há mais de 3.100 anos a.C. A história da joalheria se confunde com a história das civilizações.
Mas a moda em jóias está começando a ganhar conceitos diferenciados. Um despojado fio de palha mistura-se a 11,5 quilates de diamantes altamente brancos. A peça pode ser enrolada no pescoço, no pulso ou na cintura. Com ela, a designer brasileira Tereza Xavier ganhou o prêmio Diamonds International Awards 1998, em Paris. Hoje, as inovações ficam por conta das jóias que usam materiais alternativos como couro, madeira, coco, acrílico, aço e palha, afirma o designer Rodrigo Bittencourt Alarcón, de Curitiba.
Fascinação Rodrigo é estudioso da história da joalheria, trabalha com desenho de jóias, reformas e recuperação de peças antigas há 15 anos. Ele lembra que desde criança tinha fascinação por jóias, ficava horas em frente a vitrines e quando conhecia alguém que entendia um pouco mais, procurava obter o máximo de informações. Fui colecionando revistas, conversando muito com as pessoas e ouvindo as histórias afetivas ligadas às jóias. As pessoas que dão de presente uma jóia, geralmente, são mais sensíveis e se preocupam em combinar a peça com a personalidade do presenteado. Isso, segundo Rodrigo, faz com que a jóia ganhe conotação diferenciada de outros presentes. Não precisa ser cara, basta ser uma jóia.
O estudo das jóias levou Rodrigo para a Europa, onde ficou quatro meses visitando museus, fazendo pesquisas e conhecendo as escolas de ourivesaria (trabalho em ouro). Quando voltei, procurei uma escola no Brasil e me surpreendi ao encontrar o Centro de Gemalogia de Anápolis (GO), que podia ser comparada às melhores da Europa.
Entusiasmado, Rodrigo fez um ano de curso de lapidação e gemalogia. De volta a Curitiba, montou um ateliê e, unindo a experiência dos funcionários, desenvolveu técnicas de montagem de jóias usando as mais variadas pedras. Mas hoje, ele só desenha e manda confeccionar em ourives de sua confiança.
Peças volumosas Ao falar de tendências, Rodrigo cita as peças grandes, com volume. Um único anel, ao invés de vários. Peças que sozinhas fazem efeito e complementam a roupa. Ele gosta muito de explorar o formato natural das pedras. Faço apenas um polimento e uso uma base de prata, que valoriza a cor e a forma.
O que está se usando muito também são as jóias com pedras brasileiras que têm uma gama imensa de cores. As pedras ficam mais bonitas com a prata, que realça o contraste das cores. Usamos pedras coradas como a ametista, o citrino, o cristal de rocha, o quartzo rutilado e pedras ornamentais como o granito, a pirita, a serpentinita e o jasper.
Para o ouro ficam reservadas as pedras mais caras e raras como o rubi, a safira e a esmeralda. Já a platina e a prata serão os metais mais usados neste ano. Mas escolha depende da pedra que complementa a peça.
Pedras Existem três tipos de pedras. As naturais, as sintéticas e as homocriadas. As naturais são encontradas na natureza; as sintéticas são fabricadas em laboratórios e têm as mesmas propriedades físico-químicas das naturais. Já as homocriadas, também produzidas em laboratório, não existem na natureza. A zircônia e o vidro aventurino são exemplos de pedras homocriadas. Para reconhecer uma pedra sintética só mesmo um exame minucioso em laboratório. Em geral, percebe-se que a pedra é natural pelas imperfeições e análise das inclusões.





