Eles surgiram inicialmente para corrigir problemas de visão. Depois foram escurecidos para evitar a claridade incômoda do sol. Hoje, os óculos são importantes até na hora de compor o visual e ganham design que acompanha as tendências da moda. Mas a função essencial ainda é proteger os olhos da radiação UVA e UVB, que danifica a visão.
Esse papel é tão importante que os oftalmologistas alertam que se as lentes dos óculos não tiverem filtros para bloquear a luz ultravioleta, em vez de proteger, eles podem causar lesões na retina (veja box).
De acordo com o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor-clínico do Instituto de Moléstias Oculares (IMO), de São Paulo, a utilização de óculos de sol cujas lentes não ofereçam proteção adequada é mais perigoso do que simplesmente não usá-los. ''O olho humano possui mecanismos de defesa naturais que são inibidos pela escuridão proporcionada pelas lentes. A pupila, que automaticamente se fecharia diante da luminosidade, mantém-se dilatada quando utilizamos lentes escuras. A reação natural do ser humano de fechar os olhos é comprometida pela utilização dos óculos de sol. Portanto, se as lentes não protegem os olhos, os raios ultravioletas passam e afetam a retina mais severamente do que se não estivéssemos usando nenhum tipo de lente'', explica.
O problema é que, na busca por preços baixos, muitas pessoas optam pela compra de óculos de sol em bancas de vendedores ambulantes, no meio das ruas. Na maioria das vezes, a mercadoria adquirida nestes pontos de venda é falsificada. E, neste caso, o barato pode sair caro. ''O preço não é o melhor parâmetro para avaliar se os óculos que estão sendo adquiridos são de boa 'qualidade'. A população precisa se conscientizar de que o custo benefício social é alto quando se adquire um produto pirata'', afirma Centurion.
Segundo ele, dificilmente as lentes de óculos falsificados possuem filtros que bloqueiam a luz ultravioleta. ''Além de causar lesões na retina podem também levar à catarata'', alerta o médico, que também é presidente da Alaccsa, Associação Latino-Americana de Cirurgiões de Córnea, Catarata e Cirurgias Refrativas.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material Ótico, Fotográfico e Cinematográfico do Estado do Paraná e proprietário da Ótica Moderna de Londrina, Nicolau Bulgacov Júnior, lembra que apenas as óticas podem vender óculos, seja de grau ou de sol. ''Nem mesmo lojas conceituadas de departamentos e as próprias marcas de óculos podem vender esses produtos. É preciso que exista no local um técnico responsável que dê a garantia do produto'', garante.
A pirataria, nessa caso, além de se apresentar como um perigo potencial à saúde humana, dificulta a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. A mercadoria falsificada é oferecida no mercado informal, o que dificulta a identificação e responsabilização do vendedor ou do fabricante e a comprovação da compra, por não haver emissão de nota fiscal. ''No momento em que compramos um produto pirateado, rasgamos o Código de Defesa do Consumidor, que é a forma do cidadão garantir seus direitos e participar da sociedade de consumo'', diz Virgilio Centurion.
Os óculos falsificados chegam bem mais baratos ao mercado por serem feitos de materiais mais simples, não pagarem impostos e não possuírem tecnologia capaz de filtrar os raios UV. De acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abiótica), as falsificações respondem por 50% do número de óculos de sol comercializados no Brasil, hoje. ''Infelizmente em Londrina não há ninguém para fiscalizar a venda desses produtos. As pessoas precisam tomar cuidado e exigir certificado de garantia das lojas'', alerta Bulgacov.

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