A pele é o maior órgão do corpo humano e, talvez, um dos que mais pode apresentar diferentes problemas de saúde. Além do elevado número de complicações de pele, a confusão que elas causam na população também é grande. Isso porque é difícil para quem não entende de medicina diferenciar um melanoma, uma alergia ou uma simples mancha.
É assim com a psoríase, doença crônica que afeta até 3% da população mundial e não oferece risco de vida, mas é um grande inimigo do bem-estar psicológico e social. ''A psoríase é uma doença visível que causa constrangimento por parte dos pacientes e das demais pessoas. Quem tem a doença fica com vergonha de mostrar o corpo porque os outros não sabem o que é e podem acreditar que se trata de uma doença contagiosa. É muito comum os pacientes precisarem de tratamento psicológico junto com o medicamentoso'', afirma o dermatologista Airton dos Santos Gon. ''Se não for tratada, ou se tratada inadequadamente, a psoríase pode causar um impacto devastador na vida pessoal do paciente'', diz Joseph Camardo, vice-presidente Sênior de Assuntos Médicos Globais da Wyeth Pharmaceuticals.
A psoríase é uma doença inflamatória da pele que não tem causa conhecida e tampouco pode ser contagiosa, ao contrário do que muita gente pensa. ''Ela não é causada por vírus ou bactéria, não pode ser transmitida de maneira alguma de uma pessoa para outra. O que existe é um fator familiar que favorece o surgimento da doença, mas não é definitivo. Outra crença errada é imaginar que as marcas na pele podem se transformar em câncer. A psoríase é benigna, não mata e não causa nenhuma complicação mais séria, com exceção da artrite psoriásica, que afeta cerca de 10% dos pacientes. Nesses casos, além das placas na pele, o paciente apresenta dor nas articulações'', garante Gon.
Muitas vezes confundida com outras enfermidades, a doença se caracteriza por placas de fundo vermelho com descamação da pele, que geralmente não coçam e, quando isso acontece, é de forma suave. A descamação ocorre porque as células da pele se reproduzem muito rápido. Enquanto que, normalmente, as células levam de 21 a 28 dias para ser repostas, nos portadores de psoríase isso acontece entre 2 e 6 dias. Estresse, agressões cutâneas, infecções, uso de certos medicamentos, clima e fatores hormonais podem desencadear ou aumentar um surto de psoríase em pessoas que têm predisposição à doença, que normalmente se desenvolve entre 11 e 45 anos de idade.
''O normal são as placas surgirem nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo, palmas e plantas de mãos e pés, mas elas também podem aparecer nas costas e no peito. Geralmente são marcas grandes, de cinco a dez centímetros, mas podem ser pequenas e espalhadas'', diz o médico.
Para tratar a psoríase, evitando que as crises aconteçam e que as placas aumentem, os medicamentos de controle devem ser usados de forma contínua. ''Existem pomadas, xampus e medicamentos orais, usados para casos mais graves. Manter a pele sempre hidratada também é importante, assim como tomar um pouco de sol fraco todos os dias. Com o uso dos remédios, em cerca de 40 dias as placas desaparecem. Algumas pessoas ficam com marcas na pele, mas outras não apresentam nenhuma sequela. Como a doença não tem cura, e também não causa a morte, geralmente o paciente não leva o tratamento a sério. Esse é o maior obstáculo para o controle das crises'', comenta Gon.
Para os casos graves, ele afirma que existem medicamentos de uso oral bastante eficazes no controle da doença e na melhora do aspecto da pele, mas com efeitos colaterais fortes, como diminuição da imunidade, tuberculose e alguns tipos de câncer. ''Chamamos de agentes biológicos. São remédios novos no mercado e bastante caros. O tratamento mensal chega a custar R$ 4 mil e precisa ser acompanhado de perto por um especialista'', garante.
Segundo um estudo feito pela Wyeth Pharma, divisão da Wyeth Indústria Farmacêutica, o medicamento Enbrel (etanercepte) produz uma melhora significativa na aparência da pele em pacientes com psoríase em placa moderada a severa. Os resultados foram apresentados no dia 1º de outubro, durante o 21º Congresso Mundial de Dermatologia, realizado em Buenos Aires.
Pacientes que receberam uma dose semanal de 50 mg de etanercepte, administrada durante 12 semanas, apresentaram melhora significativa da severidade da doença. Além disso, quase dois terços dos pacientes que receberam a substância, durante 24 semanas, alcançaram uma pele 'limpa' ou 'praticamente limpa', de acordo com os critérios da Avaliação Global de Médicos.

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