Marcas do passado
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Para alguns, elas representam lembranças de momentos importantes, marcas de dificuldades superadas e assim permanecem para a vida toda. Mas para a maioria das pessoas, as cicatrizes são empecilhos que comprometem o visual, causam vergonha e impedem de mostrar o corpo.
Causadas por cirurgias ou acidentes, elas chamam a atenção e até há pouco tempo eram impossíveis de ser completamente eliminadas. ''O máximo que se fazia antes era uma restauração cicatricial simples, onde a marca era retirada e a pele reaproximada de forma mais fina. Mas, ainda assim, uma cincatriz fininha permanecia. Algumas pessoas não se importam, mas muitas se sentem incomodadas e escondem como podem essas cicatrizes. Hoje, a estética é supervalorizada'', afirma o cirurgião plástico Chafic Kallas, que faz parte de uma equipe de médicos que está introduzindo a técnica em Londrina.
Segundo ele, o primeiro passo continua sendo a diminuição da marca na pele. ''Restauramos a cicatriz como fazíamos antes, com o uso de material delicado, fios muito finos, pontos internos. Em uma emergência ou em cirurgias que não são plásticas, nem sempre isso é feito e a marca acaba ficando muito aparente'', diz.
Depois que a nova cicatriz se fecha, é hora da segunda etapa. O especialista explica que utiliza um processo muito parecido com a realização de uma tatuagem. ''Uma tinta da mesma cor da pele do paciente é usada para pigmentar a linha que se forma na cicatrização. Nessa etapa ainda precisamos pesquisar mais para conseguir uma variedade maior de cores e poder atender todos os tipos de pessoas'', comenta.
De acordo com Kallas, qualquer tipo de cicatriz pode ser melhorada com a técnica, embora algumas sejam mais difíceis. ''Aquelas que formam quelóide, mais comum em pessoas de pele negra e orientais, são as mais complicadas. É preciso realizar sessões de betaterapia, em que um metal radioativo é colocado na cicatriz para queimar as células e evitar que outro quelóide se forme com a nova cirurgia'', afirma.
As marcas que ficam afundadas no corpo também necessitam de tratamentos extras para ficar imperceptíveis. ''Depois de retirar a cicatriz, coloca-se polimetilmetacrilato para preencher o espaço que afundou, e, só depois, é feita a pigmentação'', explica.
O procedimento é realizado em pelo menos duas etapas. Isso porque há casos em que é necessário fazer mais de uma restauração cicatricial para deixar a linha o mais fina possível. ''O processo é feito com anestesia local e é importante que o paciente se cuide no pós-operatório'', lembra. Em média, o tratamento completo leva seis meses. O tempo pode variar de acordo com a rapidez de cicatrização de cada pessoa.
O especialista diz que a pigmentação também é uma boa opção para quem deseja se livrar de tatuagens. ''Fazemos o mesmo desenho da tatuagem com a tinta da cor da pele do paciente. Algumas vezes é necessário repetir o procedimento para alcançar um bom resultado por causa de cores muito fortes das tatuagens.''


